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Fernando Calado Rodrigues

O Sínodo da família

O tema mais em foco é o acesso aos sacramentos de quem rompeu uma anterior união e se voltou a casar.

Fernando Calado Rodrigues 10 de Outubro de 2014 às 03:08

O Papa abriu o Sínodo dos Bispos pedindo aos participantes que falem claro e escutem com humildade. É neste clima de abertura que os padres sinodais vão abordar temas como o divórcio, a contraceção, o aborto, as uniões de facto, os casais homossexuais, as crianças no interior de uniões homossexuais, a poligamia, o papel eclesial e social da família, a eventualidade de conceder a comunhão aos recasados.


De entre todos, o que tem merecido maior atenção mediática é o do acesso aos sacramentos por parte de quem rompeu uma anterior união e se voltou a casar. Para quem permanece só, esse problema não se põe, isto porque, apesar de estar separado, continua fiel à primeira união, não lhe podendo ser negada a comunhão, ou ser padrinho ou madrinha.


Tudo isso está vedado aos recasados. É essa situação que inúmeros casais vivem com sofrimento e pedem à Igreja que encontre uma saída para a sua situação. O Papa já manifestou que é sensível a essas inquietações e pede ao Sínodo que dê uma resposta a estas pessoas.


Quanto a ela, os mais intransigentes defendem que não se pode pôr em causa o princípio da insolubilidade e da unicidade. Não admitem, por isso, nem mesmo um aligeirar do processo canónico de declaração de nulidade do anterior matrimónio, como alguns propõem. Fundamentam a sua posição na tradição da Igreja e nas palavras de Jesus: "Não separe o homem o que Deus uniu [Mc. 10, 9]."


Jean-Paul Vesco, bispo de Oran, na Argélia, numa entrevista à revista ‘La Vie’, diz acreditar que "é teologicamente possível afirmar, ao mesmo tempo, a indissolubilidade de qualquer verdadeiro amor conjugal, a unicidade do matrimónio sacramental e a possibilidade de um perdão em caso de fracasso do que constitui uma das mais belas, mas também das mais perigosas aventuras humanas, o casamento para toda a vida". Na Igreja primitiva era comum "uma prática de tolerância pastoral, clemência e paciência após um período de penitência" dos divorciados, recorda também o cardeal Kasper, no livro ‘Evangelho da família’.


Compete agora ao Sínodo essa árdua tarefa de procurar conciliar o que aparentemente é irreconciliável: indissolubilidade e misericórdia. Eventualmente, recuperando procedimentos do passado.

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