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Fernando Ilharco

Como ter uma boa cabeça

Sabe-se hoje que nem o corpo humano, nem a personalidade, nem o cérebro são fixos ao longo da vida.

Fernando Ilharco 2 de Abril de 2017 às 00:30

Sabe-se hoje que nem o corpo humano, nem a personalidade, nem o cérebro são fixos ao longo da vida. Evoluem, envelhecem, mudam. E podem melhorar, sempre. Somos o que somos, mas a grandeza humana é sermos um poder ser, simbólico e literal, espiritual e material, psicológico e físico.

Estima-se que aos 50 anos de idade os neurónios do cérebro de uma pessoa tenham sido todos substituídos por neurónios gerados já na idade adulta. Trata-se de uma realidade sobre a qual nos anos 90 ainda não se tinha a menor ideia, e que tem implicações no dia-a-dia. Por exemplo, foi descoberta uma ligação entre a geração de neurónios e os estados depressivos: quanto mais deprimida uma pessoa está, menor é a neurogénese, isto é, menor é a criação de neurónios. Um desafio importante, por isso, para nos mantermos equilibrados e de boa saúde é facilitar a criação de neurónios. Todos temos actividades que facilitam a neurogénese; e outras que nem tanto. Perguntemos: aprender algo de novo, uma língua, um desporto, a tocar um instrumento musical, aumenta a neurogénese? E dormir? Dormir bem, não andar sonolento o dia todo, tem influência positiva na neurogénese? E o exercício físico, andar a pé, é bom para a neurogénese? A resposta é sim a todas as perguntas.

Dormir pouco, andar stressado, não nos mexermos, não aprender nada de novo, não ajuda o cérebro, não nos ajuda a mantermo-nos em forma, mentalmente e fisicamente. Vamos todos para mais velhos, é certo. Mas hoje sabe-se que o cérebro tem capacidade para gerar novos neurónios a vida toda. Essa capacidade vai diminuindo com o envelhecimento, mas sendo estimulada nunca desaparece completamente. A alimentação também tem influência numa boa neurogénese. Baixar os alimentos calóricos é boa ideia. Chocolate preto e mirtilos, por exemplo, fazem subir a geração de novos neurónios. As gorduras e o álcool, pelo contrário, têm um impacto negativo na neurogénese. O vinho tinto também faz bem aos neurónios; o resveratrol, uma substância activa nas uvas, ajuda os novos neurónios a sobreviver. E lembre-se, moderadamente o vinho tinto também faz bem ao coração.

Somos o resultado do que fizemos para reagir e nos adaptarmos ao mundo. "Somos o que somos por causa das pressões a que fomos sujeitos e das adaptações, físicas e mentais, que tivemos que fazer para reagir. Os nossos corpos, as nossas mentes e as nossas personalidades são o resultado dessas adaptações", dizia o norte-americano James Counsilman, um dos mais famosos treinadores de natação de todos os tempos.

Fernando Ilharco O segredo de viver
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