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Fernando Ilharco

Não atraia a má sorte

Há quem mine o seu próprio trabalho, as suas relações pessoais e os seus projectos

Fernando Ilharco 10 de Setembro de 2017 às 00:30

Não só é fácil ser azarado como, por estranho que pareça, há muito boa gente que tem azar por culpa própria. Todos queremos fazer o que gostamos. Queremos atingir os nossos objectivos, gostamos de nos sentir bem no trabalho e na vida pessoal, gostamos de ter sorte no que fazemos. Mas nem toda a gente se dá bem com a sorte... Há sempre algum problema, alguma coisa que está mal, algo que não bate certo quando estava tudo a correr tão bem.

Subconscientemente, há quem mine o seu próprio trabalho, as suas relações pessoais e os seus projectos. Quando aqui ou ali as coisas melhoram, há quem se sinta desconfortável, stressado e comece a fazer por piorar a situação. O regresso a uma situação menos boa é, por vezes, sentido como normal.

Por exemplo, há quem queira mudar de departamento na organização onde trabalha. Não se sente bem no local, o ambiente não é amigável e está sempre ansioso. E um belo dia muda mesmo, vai para outro departamento e fica satisfeito. O pior é umas semanas depois… Há lá um colega… não se sabe bem porquê, mas parece que lhe quer fazer a vida negra. Tem essa sensação e sente-se mal de novo. É um problema.

Ou quem ao fim de anos de trabalho e esforço consiga finalmente uma situação económica estável. Decide-se então por uns investimentos mais arriscados. Não ouve os conselhos dos amigos, acha que sabe do assunto e lança-se em projectos especulativos. Os primeiros tempos correm bem, mas depois as coisas pioram, azar... E os problemas económicos voltam ao habitual.

Não é um quadro fácil. É preciso estar atento, a nós próprios e aos outros à nossa volta, porque a tendência para complicar, para procurar que corra mal, para ter azar, geralmente, é algo de que a pessoa não tem a noção. Ultrapassar esse hábito, evitar prejudicar-se passa por constatar que se tem essa tendência para procurar piorar as coisas.

A vida psicológica é muito complexa, mas neste caso, o mais importante parece não ser saber ou não porque se passa o que se passa mas antes constatar essa mesma situação.

Há quem subconscientemente procure a má sorte. Mas trata-se de um fenómeno estudado e é um comportamento reversível. Ter a noção do que fazemos para nos prejudicarmos, do que fazemos para atrair a má sorte, é o mais importante. Depois, é deixar chegar o melhor, respirar fundo e ir devagar, um dia de cada vez, estar atento e garantir que nada se faz para prejudicar a boa situação em que estamos envolvidos. Como todos os hábitos, ao fim de um ou dois meses, passa a ser natural. Esteja atento, não atraia a má sorte.

antiga ortografia  

Azar sorte trabalho relações
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