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Fernando Ilharco

O que os pais pensam

O que o insucesso é para os pais influencia o sucesso dos filhos.

Fernando Ilharco 2 de Julho de 2017 às 00:30
O que os pais fazem, mais do que o que dizem, influencia o comportamento dos filhos. Mas o que os pais pensam pode ser vital para o sucesso dos filhos. Não o que pensam sobre os filhos, as suas capacidades ou feitio, mas o que pensam sobre o insucesso em geral.

Para as crianças em idade escolar, por exemplo, as más notas geram mal-estar e incómodo, junto dos filhos e dos pais. As reacções dos pais podem ser de dois tipos, desencadeando nos filhos diferentes maneiras de ser. Perante uma nota mais fraca os pais comentam que o teste foi muito difícil, ficam preocupados e consolam o filho… É bom, mas não é o melhor. Leva as crianças a acreditar que as pessoas são como são, têm as suas capacidades e não mudam. E isso é uma ideia prejudicial.

Mas os pais podem reagir de forma diferente. Em vez de ficarem ansiosos, podem dizer ao filho para ver o que fez mal, o que não estudou tão bem, para ver como poderia ter tido melhor classificação, incentivando-o a procurar ajuda para dominar o assunto, a trabalhar mais, a esforçar-se mais e com mais eficácia. Esta atitude incentiva o esforço, mas faz mais. Ela transmite a crença de que o que conseguimos, o que somos, depende do nosso esforço, determinação e empenho. As crianças vêem que para lá de toda a conversa os pais acreditam que é possível, não porque o dizem, mas porque a forma como reagem implica isso. Se os pais derem a entender que o insucesso é algo a evitar a todo o custo, difícil de ultrapassar, então os filhos tendem a desenvolver a crença de que as pessoas são como são e não mudam; por isso, pensam, se não consegui hoje, não vou conseguir nunca. Acreditam nisso e arriscam menos; não melhoram porque não acreditam que podem melhorar.

Se, por outro lado, os pais deixarem entender que o insucesso é consequência de algo que pode ser feito melhor, que é um desafio, que o erro se ultrapassa com a aprendizagem, então os filhos tendem a desenvolver uma mentalidade que acredita que o que as pessoas conseguem resulta do seu esforço, aprendizagem e determinação. É um mundo diferente.

Estas ideias assentam numa investigação publicada recentemente na revista científica ‘Psychological Science’. As autoras, Kyla Haimovitz e Carol Dweck, da Universidade de Stanford na Califórnia, sugerem que os pais devem motivar os filhos estimulando-os a pensar nas suas capacidades como algo que pode ser sempre desenvolvido e melhorado. Mas atenção, o que mais motiva os filhos é constatarem que é isso, não apenas que os pais dizem, mas que os pais pensam.
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