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Fernando Ilharco

Perto demais

Todos conhecemos pessoas que falam muito em cima, que se aproximam muito, agarram-nos o braço durante muito tempo, sussurram ao ouvido sem ser necessário.

Fernando Ilharco 17 de Dezembro de 2017 às 00:30

A distância que mantemos entre uns e outros é importante no relacionamento no dia-a-dia. O chamado espaço vital é uma distância social que têm consequências na maneira como somos vistos e interpretados pelos outros e é importante para uma comunicação eficaz. Mas que distância é perto demais? Quando é demasiado longe? Será a distância apropriada entre as pessoas algo subjectivo?

O ser homem ou mulher, a personalidade de cada um, a idade e outros aspectos, como por vezes a profissão ou a relação profissional, contribuem para modelar a distância aconselhável, ou mais expectável, entre duas pessoas. A cultura dos povos, das comunidades e dos grupos é, no entanto, um dos aspectos mais marcante; assim como a temperatura do lugar…

Em geral, os povos latinos, que vivem em climas mais quentes do que os povos anglo-saxónicos ou nórdicos, são também mais colectivistas e menos individualistas do que estes últimos, conforme indica o estudo mais amplo e mais longo alguma vez levado a cabo sobre culturas nacionais, coordenado pelo sociólogo holandês Geert Hofstede. Poderá mais colectivismo indicar também tendência para uma maior proximidade física?

Num estudo publicado no ‘Journal of Cross--Cultural Psychology’, foi investigada em diferentes países a distância que as pessoas sentiam confortável, quer entre desconhecidos, entre amigos como entre pessoas mais chegadas, como familiares ou marido e mulher. A distância confortável entre desconhecidos mais ampla foi de 1,40 metros, na Roménia, na Hungria e na Arábia Saudita; a distância confortável menor entre estranhos foi de 80 centímetros e registou-se na Argentina e no Peru.  

Quando se estudou a distância sentida como confortável entre amigos, os resultados obedeceram ao mesmo padrão do que se passou entre desconhecidos. Ou seja, nos países em que as pessoas prefiram ter maior distância entre estranhos, também a preferiam ter entre amigos. Mas quando se considera o espaço vital entre pessoas chegadas, o caso muda de figura. Os romenos ou os noruegueses, que necessitam de maior distância quando estão com desconhecidos, quando estão entre familiares, pessoas próximas ou marido e mulher sentem-se mais confortáveis mais próximos do que os outros povos, cerca de 50 a 40 centímetros.

Por fim, e talvez a indicação mais geral, constatou-se que em países quentes o espaço vital tende a ser menor do que em países frios. A temperatura quente parece indicar, em geral, menor inibição no contacto social generalizado e maior proximidade física entre as pessoas. Mas nas relações pessoais mais chegadas, parece ser a temperatura fria a incentivar mais proximidade.

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