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Fernando Ilharco

Se eu ganhasse o Euromilhões é que era

Quanto mais se ganha num sorteio, mais provável é que se acabe falido

Fernando Ilharco 1 de Fevereiro de 2017 às 00:30
Se ao menos eu fosse promovido, se tivesse um prémio profissional todos os anos, se o meu chefe não me tivesse tomado de ponta, se não fosse aquele colega, que é um chato… ah! se não fosse isso, e então se eu ganhasse o Euromilhões, isso é que era, aí é que ia ser mesmo bom. Mas há sempre qualquer coisa a complicar tudo. E se não faltasse nada? Se a desejada promoção chegasse? E também um ordenado mais gordo, um chefe mais motivador? E se aquele colega chato fosse para outro departamento? O que aconteceria se eu ganhasse o Euromilhões? Depende. A curto prazo, o bem-estar e a boa disposição disparariam; é o mais provável, mas não é garantido. Em alguns meses ou anos tudo podia mudar de figura.
Hoje aceita-se que para a generalidade das pessoas o bem-estar é relativo. As mudanças positivas aumentam no imediato o bem- -estar e a satisfação com a vida, mas podem não ser suficientes a longo prazo. A maneira como somos habitualmente, como éramos antes das notícias positivas, tende a manter--se no futuro: bem-dispostos se já éramos bem-dispostos; maldispostos se habitualmente éramos assim. O bem-estar súbito pode ser apenas um pico de boa disposição.
Com tempo, os vencedores de prémios em jogos de sorte e azar, numa percentagem relevante, ficam material e psicologicamente pior; há estudos que apontam para 1/3 dos vencedores, outros para metade e ainda outros para mais de metade. Quanto mais dinheiro se ganha num sorteio, maior é a probabilidade de se acabar na falência num prazo de cinco anos, indica uma investigação das universidades de Vanderbilt, Kentucky e Pitsburgo (EUA). Um outro estudo da National Endowment for Financial Education, dos EUA, estima que entre as pessoas que de um dia para o outro ganham grandes somas, 70% fica sem o dinheiro num prazo de sete anos. É paradoxal, mas quem ganha subitamente uma bela maquia corre um risco de, em poucos anos, ficar com uma vida pior.
Então, que fazer hoje para estar bem preparado para quando o Euromilhões chegar? A resposta é esta: a boa vida de amanhã, o bem-estar de amanhã, as mais das vezes, vem do bem-estar de hoje. Quem é mal-encarado, quem anda sempre a queixar-se, não muda de um dia para o outro porque ganhou a lotaria; muda pontualmente, faz a festa, mas a ressaca não vai ser famosa. Por isso, para se preparar para quando a promoção e a lotaria chegarem, habitue-se a ser positivo, a estar motivado e a ver o copo sempre meio cheio. Não só o prepara para um futuro melhor, como lhe dá, já hoje, um dia-a-dia melhor.
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Kentucky EUA National Endowment questões sociais
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