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Fernando Ilharco

Se sabemos o que nos faz feliz

As actividades mais recompensadoras são mais intimidantes no início.

Fernando Ilharco 24 de Dezembro de 2017 às 00:30

Passear ao pé do mar, ir ao cinema ou ao teatro, fazer desporto, tocar um instrumento musical, ler um bom livro são actividades que as pessoas gostam e que fazem bem ao corpo e à mente. Mas também ver televisão, um bom filme, uma série ou um programa favorito também são do agrado de muita gente; e às vezes, estar no sofá, mais para o deitado, a comer umas bolachinhas e uns chocolates... Mas já não faz tão bem; e as pessoas sabem-no. Mas se se sabe o que faz bem, porque tantas vezes é tão difícil fazê-lo?

Um estudo realizado pela Universidade de Claremont, nos EUA, examinou um grupo de 300 pessoas, entre os 30 e os 34 anos. Observou as suas actividades no dia-a-dia, o tempo que dedicavam às mais variadas tarefas profissionais e de lazer. Através de várias técnicas, os investigadores avaliaram também a satisfação que as pessoas obtinham em cada actividade.

A conclusão geral do estudo é esta: as actividades que exigem mais envolvimento mental ou físico, como a prática musical ou desportiva, tendem a gerar mais bem-estar e satisfação e a sua prática regular relaciona-se com a sensação de felicidade. E as pessoas têm noção disso; o que significa que algo parece não bater certo…

Apesar de as pessoas saberem do que gostam e o que devem fazer, a maioria delas continua a dedicar o seu tempo livre a actividades passivas, por exemplo, navegar na internet, nas redes sociais e comer umas bolachinhas ou a ver televisão, zapeando por centenas de canais sem se fixar num determinado programa, filme ou documentário.

É caso para perguntar: então o que não é atraente no que mais nos satisfaz física e mentalmente? É a necessidade do maior envolvimento inicial. As actividades mais recompensadoras são mais intimidantes no início, custam mais a começar e parecem ser mais complexas. Para se ir ao ginásio ou dar um passeio num bonito jardim é necessária mais energia inicial do que para nos sentarmos no sofá ou navegar nas redes sociais.

Que tal ir correr ou nadar um pouco? Tenho que equipar-me, que ir andando, que ter força de vontade para começar mesmo… e depois de tomar um banho… é mais fácil ir ver televisão ou para a internet. Muitas vezes as pessoas escolhem o que momentaneamente é mais simples e agradável, porque tem menos custos de mudança.

Há um truque, no entanto, para evitar este estado de coisas. É ter rotinas, fazer o que gostamos nos mesmos dias da semana, nos mesmos horários e num local ou contexto que o facilite; por exemplo, ter aulas de música perto de casa ou a caminho do local de trabalho e não na melhor escola do país, mas que fica do outro lado da cidade.

Universidade de Claremont EUA artes cultura e entretenimento questões sociais
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