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Fernando Ilharco

Uma nova normalidade

É fácil encontrar pessoas com 90 anos e mesmo com 100 anos de idade.

Fernando Ilharco 24 de Setembro de 2017 às 00:30

Em toda a história da Humanidade terão vivido uns 100 mil milhões de seres humanos. A maioria de nós nasceu num mundo com pouco mais de três mil milhões de pessoas. Hoje, o planeta tem mais de sete mil milhões de habitantes. Se considerarmos as pessoas que têm ou que alguma vez desde o início da Humanidade tiveram 65 anos de idade ou mais, chegamos à surpreendente conclusão de que a maioria dessas pessoas está viva. Nunca tanta gente viveu tantos anos. É fácil encontrar pessoas com 90 anos e mesmo com 100 anos de idade. Como diria La Palice, vive-se mais porque se morre menos.

A esperança média de vida à nascença em Portugal passou os 80 anos para as mulheres e anda lá perto para os homens. Há pouco mais de 100 anos, em inícios do século XX, nos EUA, essa marca estava nos 48 anos de idade. Na Europa em 1800, há 200 anos, a esperança média de vida não deveria ultrapassar os 37 anos. Na Grécia Antiga, onde Platão terá vivido 80 anos, a maioria da população não passava dos 30 anos. No Antigo Egipto, estima-se hoje que esperança de vida se ficasse pelos 25 anos.

Os avanços da medicina, os cuidados de saúde, os novos conhecimentos e uma civilização que promove o bem-estar e a vida digna têm mudado o mundo. Mas foi no século XXI que a mudança mais acelerou. Nos últimos 17 anos foi criado mais conhecimento, mais descobertas científicas e mais tecnologias do que em toda a história da Humanidade anterior. Mais de 90% do conhecimento científico foi gerado no século XXI.

A informação e a comunicação é a nova natureza. Mais de 90% da informação criada hoje em dia, todos os dias, estima--se que nunca mais seja acedida por ninguém. Em cada dia que passas são gerados novos dados, texto, números, fotografias, vídeos, etc., suficientes para encherem várias vezes todas as bibliotecas do mundo. Há dez anos que o mundo gera mais informação do que a que tem capacidade de armazenar. Um dos problemas do mundo informacional é hoje o apagar dos textos, das fotografias e dos vídeos. Não é só o leitor que tem pouca memória no telemóvel e no computador; é todo o mundo. Não há memória suficiente para tanta informação.

Hoje o convencional é ser anticonvencional, o esperado é o inesperado e o desafio de todos os negócios é a inovação.

Há dias, quando numa aula de licenciatura falávamos sobre mudança, um dos alunos, nos seus 17 ou 18 anos, que se mostrava algo surpreendido e ansioso, numa pausa da exposição perguntou: "Mas qual mudança?" Quando se ouve uma pergunta destas, não se pode deixar de pensar que a mudança pode bem ter acabado. Há uma nova normalidade.

Humanidade La Palice
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