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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Fernando Medina

No bom caminho

Os dados do crescimento económico têm vindo a melhorar há vários trimestres, o desemprego está a descer de forma consistente.

Fernando Medina 17 de Maio de 2017 às 00:30
O INE acaba de anunciar que a economia portuguesa terá crescido 2,8% nos primeiros três meses do ano, face ao mesmo período do ano passado. É indiscutivelmente uma excelente notícia para o país. Há cerca de uma década que Portugal não produzia a ritmos semelhantes, mesmo antes da crise que provocou a grande recessão no mundo ocidental.

Duas razões sustentam o otimismo sobre este crescimento. A primeira é que não se trata de um indicador isolado. Os dados do crescimento económico têm vindo a melhorar há vários trimestres, o desemprego está a descer de forma consistente (não por causa da emigração, como no passado recente, mas graças à criação de mais de 140 000 empregos no último ano), e os dados setoriais da construção ou do turismo são positivos. Os vários indicadores apontam para que estejamos a entrar num novo ciclo de crescimento sustentado.

A segunda razão para otimismo é que estamos a crescer mais com base nas exportações líquidas (para o que muito contribui o turismo e os serviços) do que na procura interna. Contra a crença de muitos, o crescimento da economia não está a ser acompanhado do aumento do défice externo e apresenta, no atual contexto, condições mais sustentáveis.

É evidente que ainda há muito caminho a fazer, que os riscos internos e particularmente externos à nossa economia são bem reais e que vivemos num período de taxas de juro anormalmente baixas. E é evidente acima de tudo que a Europa está bem longe de resolver de forma categórica a crise institucional e política da moeda única e do futuro da construção europeia.

Mas depois de tantos anos de desesperança aproveitemos a conjuntura para potenciar ainda mais os fatores do nosso crescimento futuro, para sararmos mais rapidamente as profundas feridas sociais destes anos de ajustamento, para consolidarmos as nossas contas e melhorarmos o nosso sistema financeiro. Tudo fica agora mais facilitado. Há destes dados uma leitura política inevitável. Todas as críticas, todas as ameaças, todas as previsões de Passos caíram por terra e foram desmentidas pela realidade. Fruto da mudança de ciclo económico e fruto da mudança de política do Governo, é a economia que está a puxar pela consolidação orçamental e não o contrário. Costa e Centeno ganharam em toda a linha.

Um negócio da China      
No passado fim de semana vários líderes mundiais deslocaram-se a Pequim para debater a execução do grande projeto da China para as próximas décadas: a nova ‘Rota da Seda’. Trata-se de um projeto de investimento chinês mais ambicioso que o Plano Marshall com 1 trilião de dólares destinados a reconstruir as rotas comerciais da China com a Europa, atravessando a Ásia e a Rússia.

A ideia responde no imediato a um problema de crescimento interno chinês, permitindo escoar matérias-primas e mão de obra para a construção de rodovia, ferrovia, redes elétricas e portos fora da China. Mas é muito mais do que uma iniciativa económica de curto prazo. É um projeto que mostra aliás que a China é neste momento a única potência regional com uma estratégia geopolítica digna desse nome.

A política tem horror ao vazio. E por maioria de razão a política internacional. A União Europeia está há demasiado tempo bloqueada nas suas crises e os Estados Unidos, com Trump, decidiram virar-se para dentro. Se nada mudar a ocidente será a China a moldar a globalização do século XXI.

Feira Arco em Lisboa   
É já este fim de semana que decorre a segunda edição da Feira Arco em Lisboa.

Com a presença de 40 prestigiadas galerias internacionais, a Arco-Lisboa (realiza-se entre 18 e 21 de maio) é um momento de afirmação global de Lisboa no panorama da arte bem como uma oportunidade única para os artistas e galerias nacionais mostrarem o trabalho desenvolvido.

Elevador da Glória 
Portugal exemplar
Depois dos bons resultados dos alunos portugueses de 15 anos nos testes PISA, a OCDE volta a falar de Portugal como um exemplo a seguir em matéria de Educação, por estar a envolver os alunos na definição de competências à saída da escolaridade obrigatória e da flexibilização curricular.

José Pedro Croft em Veneza
O escultor José Pedro Croft continua a dar cartas. Este ano representa Portugal na Bienal de Veneza, com o projeto ‘Medida Incerta’, que abriu ao público no sábado. São seis esculturas que homenageiam a obra de Siza Vieira em Veneza instaladas na Villa Hériot, na Ilha de Giudecca.

Três anos Time Out Market
O Time Out Market já faz três anos. Como dizem com graça, são a única revista do mundo que se pode ler, beber e comer! O projeto veio dar uma nova vida ao mercado da Ribeira, com 24 restaurantes e vários espaços comerciais. Parabéns a toda a equipa por mais este sucesso!
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