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Fernando Medina

O Presidente Marcelo

Marcelo Rebelo de Sousa protagonizou a campanha de um homem só.

Fernando Medina 27 de Janeiro de 2016 às 00:30
Marcelo Rebelo de Sousa protagonizou a campanha de um homem só, e nesse sentido esta foi a vitória de um só homem: de Marcelo Rebelo de Sousa e mais ninguém.

Marcelo não fez campanha ao lado dos partidos que o apoiaram. Não foi eleito por causa de Passos Coelho, certamente. Foi eleito apesar de Passos Coelho, que manifestamente queria outro tipo de candidato. E naturalmente também não contou com os partidos da esquerda, que ambicionavam uma segunda volta.
Sempre ao centro, Marcelo conseguiu alargar a base eleitoral de apoio da sua família política de origem, hoje em dia bastante radicalizada à direita, e conseguiu afirmar-se como árbitro. E em contraste com as candidaturas de afirmação de espaços próprios (como a do PCP ou do BE) e daqueles que na direita procuravam uma "desforra das legislativas", Marcelo afirmou-se como o elemento pacificador de um país dividido, cansado da disputa política e ansioso de estabilidade política. Pelo caminho conseguiu consolidar a inegável ligação afetiva que já tinha com parte significativa dos portugueses. Foi pois uma campanha sem falhas.

Finda a campanha, vejamos o futuro. O que esperar de Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República?

Desde logo, Marcelo vai recuperar o poder da Presidência, resgatando-a do papel lateral a que foi remetida nos últimos anos. Vai fazê-lo através da equidistância entre Governo e Oposição, mas sobretudo cultivando uma relação própria e direta com os portugueses.

Marcelo sabe melhor que ninguém, pois foi assim que construiu a sua popularidade no país, que é essa capacidade de interpretar e manter o diálogo com a maioria dos portugueses que lhe assegurará o poder da Presidência. Quer no exercício nos poderes formais que a Constituição lhe atribui, quer sobretudo nos poderes informais, da palavra e da influência, que são tantas vezes muito mais importantes.

A grande questão sobre Marcelo é pois o que fará com o grande poder que vai acumular. Livre de compromissos partidários, com um país disponível para o ouvir, será capaz de mobilizar todos para as convergências estratégicas necessárias?

Porque não tenhamos dúvidas: independentemente das maiorias que se formem, há questões que estão para lá dos ciclos das legislaturas. O défice de qualificações, que prejudica o potencial de crescimento da nossa economia. A fratura social, que atira para a periferia da sociedade cada vez mais gente. A desconfiança nas instituições, que ameaça os alicerces da democracia. E, claro, as derivas da Europa, que comprometem as condições de crescimento do país no atual quadro da zona euro.
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