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Fernando Medina

Uma excelente notícia

Os jovens têm hoje maior capacidade de sistematizar informação e adaptá-la em contextos distintos, e são inegavelmente mais qualificados.

Fernando Medina 7 de Dezembro de 2016 às 01:45
Os resultados dos alunos portugueses de 15 anos a Matemática, Ciências e Português são uma excelente notícia. Segundo a OCDE, no maior estudo comparativo internacional sobre aprendizagens, Portugal prossegue o trajeto de melhoria dos resultados, ficando acima da média dos países desenvolvidos e ultrapassando mesmo os EUA ou a Noruega.

O atraso de qualificações ainda é o maior défice do País, o principal entrave à sua competitividade e à redução das desigualdades. A evolução dos resultados de forma continuada e persistente ao longo dos últimos 15 anos é, pois, um sinal que importa valorizar.

O salto dado pelos alunos portugueses desde o primeiro teste PISA é a todos os títulos notável. Em menos de duas décadas, deixámos de nos comparar com os países menos qualificados, onde sempre estivemos no século XX, para aparecer à frente de países como Suécia ou Itália. A própria OCDE realça o "exemplo" nacional e agrupa o conhecimento em ciência dos alunos portugueses no mesmo grupo de países como o Canadá, Irlanda ou Singapura.

Com estes resultados, cai por terra a ideia do "facilitismo" e de que os jovens "hoje sabem menos". Nada mais falso. Têm conhecimentos diferentes, maior capacidade de sistematizar informação e adaptá-la em contextos distintos, mas são hoje inegavelmente mais qualificados. E também há questões metodológicas importantes, como o facto de os alunos encaminhados para as vias vocacionais por Nuno Crato não serem avaliados, o que melhora os resultados.

Mas é importante reconhecer aqui o sucesso das políticas de aposta na "escola inclusiva para todos", levadas a cabo por vários executivos. Da aposta no pré-escolar, dos Territórios Educativos de Intervenção Prioritária ao Plano de Ação para a Matemática, da Escola a tempo inteiro à avaliação externa das escolas, muitas foram as políticas que contribuíram para estes resultados.

Isto leva-nos a uma conclusão: prosseguir de forma consistente e determinada as políticas de expansão do sistema educativo e de inclusão é essencial para o futuro. Poupemo-nos ao aventureirismo e ao elitismo de um passado recente de má memória, e reforcemos aquilo que nos uniu e nos tem permitido melhorar. As recomendações efetuadas pela OCDE, como o reforço do pré-escolar, qualificação dos docentes ou apoio a escolas em zonas carenciadas, vão neste sentido.

Grande demais para sair
O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, demitiu-se na sequência do referendo do passado domingo. É certo que o referendo era sobre uma reforma institucional que visava a redução dos poderes do Senado e a facilitação de maiorias na câmara dos representantes.

Mas a verdade é que a demissão de Renzi está a lançar justificadas preocupações, considerando o cenário previsível de eleições antecipadas e as sondagens que atribuem o favoritismo ao partido antieuropeu Cinco Estrelas. Não é certo que o Cinco Estrelas saia vitorioso, nem que a chegada dos populismos ao poder seja inevitável, como se viu na Áustria.

Mas não há dúvida de que o Cinco Estrelas tem, neste momento, grande expressão em Itália, e que as consequências para Portugal de uma eventual saída da Itália seriam enormes. Porque, ao contrário do Reino Unido, é uma economia muito relevante do euro.

Numa perspetiva mais otimista, pode acontecer que a ameaça de saída da União Europeia obrigue a fazer o que tem de fazer para reequilibrar a Zona Euro e dar condições de crescimento sustentado à Europa do Sul.

Second Home a caminho
Um dos espaços empresariais e criativos mais reconhecidos de Londres decidiu instalar-se em Lisboa. Rohan Silva, o fundador da Second Home, não tem dúvidas: "Lisboa é uma cidade no caminho certo, com potencial para se tornar mais atrativa e competitiva." Mais inovação, criando mais postos de trabalho e emprego com mais oportunidades. Boas notícias.
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