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Fernando Sobral

Coração

Keith Richards sempre foi a guitarra selvagem dos Rolling Stones.

Fernando Sobral 13 de Novembro de 2015 às 22:44
Keith Richards sempre foi a guitarra selvagem dos Rolling Stones. O leal guarda pretoriano de Mick Jagger. Mas, para além dessa ligação de sempre ao grupo que teve que mudar radicalmente para se diferenciar dos Beatles, tornando-se o modelo de rebeldia para a juventude britânica, Richards nunca deixou de guardar algum tempo para as suas grandes paixões musicais. É isso que novamente encontramos no seu terceiro disco a solo, ‘Crosseyed Heart’, que parece ter aguardado alguns anos no baú antes de ter sido editado. E isto porque aqui ainda surge o defunto Bobby Keys.

Mas, afinal, Richards sempre subordinou a sua vida própria à mais importante aventura dos Rolling Stones. Mas se na música que se faz actualmente guardar um disco durante muito tempo é um risco, por causa das ‘modas’, o guitarrista é imune a isso. Sempre gostou das mesmas coisas e as suas influências mantêm-se inalteradas. Por isso um disco seu pode aguentar muito tempo antes de ser editado. As canções parecem ter nascido fora de estúdio, onde Richards e o baterista Steve Jordan foram acrescentando músculo, antes de pedirem a alguns músicos para iluminarem o produto final.

Richards é de uma eficiência total. Até porque reserva para si a parte de leão: canta e toca baixo, piano e todo o género de guitarras. As canções são incisivas: quase todas têm menos de quatro minutos. E vivem à volta dos blues, do R&B, da folk ou do country (lembramos Gram Parsons em ‘Robbed Blind’). Keith Richards não muda: sendo um pilar do sistema ainda finge que é rebelde.
opinião Fernando Sobral
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