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Fernando Sobral

Pérolas

Tracey Thorn faz parte do mundo da pop há mais de três décadas.

Fernando Sobral 12 de Dezembro de 2015 às 00:30
Tracey Thorn, eterna voz de veludo, faz parte do mundo da pop há mais de três décadas. Nunca foi uma estrela. Pelo contrário sempre se refugiou dos holofotes.

A sua voz dizia tudo. Porque, ninguém o duvida, ela é das melhores vocalistas que a Grã-Bretanha doou ao mundo durante todo este tempo. Sempre cantou sobre o amor. Esse tema eterno que faz parte da essência da melhor pop. Desde logo com os Everything but the Girl, com Ben Watt.

Depois a solo e em inúmeras colaborações. Onde a sua voz era sempre o valor acrescentado, a pepita de ouro que fazia a diferença. Está tudo em ‘Solo: Songs and Collaborations, 1982-2015’, um disco que é um dicionário do amor. Não é fruto do acaso que esta compilação comece com ‘Oh, the Divorces!’, viagem ao mundo das feridas geradas pelas relações amorosas. E que dá o mote para tudo aquilo que se recupera destes longos anos em que Tracey cantou aqui e ali. 

Mas se esta canção revela a Tracey já como mulher madura que já viu muito na vida, ela não deixa de recuperar temas da sua juventude, como ‘Small Town Girl’ de ‘A Distant Shore’, o seu primeiro álbum a solo, de 1982.

Mas se encontramos aqui o seu romance com o mundo da música brasileira ou do jazz, descortinamos também as suas aventuras com o trip-hop dos Massive Attack ou o som militante dos Working Week (com ‘Venceremos’). Nem falta aqui ‘Missing’, o maior êxito comercial dos Everything but the Girl, ou uma versão sublime de ‘Under the Ivy’ de Kate Bush, outra das grandes damas da pop britânica. Este disco é um colar de pérolas. Quase todas muito belas. E carregadas de memórias sublimes.
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