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Correio da Manhã

Colunistas
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11 de Junho de 2016 às 00:30
Há 34 anos Martin Fry e Trevor Horn fizeram aquele que foi o dicionário musical do mundo do amor: o primeiro álbum dos ABC, ‘The Lexicon of Love’. Elegante, sofisticado e destemido, marcou a pop desses anos, talvez como nenhum outro disco. ‘The Look of Love’ ou ‘Poison Arrow’ tornaram-se clássicos, elixires perfeitos sobre a paixão em forma de canções pop. O verdadeiro ABC do amor. Esse disco dos ABC era a resposta pop ao som sombrio que marcou o início da década de 1980. E Martin Fry parecia então ser o futuro ‘crooner’ de um estilo musical que assentava em letras arrebatadoras sobre o amor e nas orquestrações entusiasmantes de Trevor Horn. Mas os ABC haveriam de não seguir o caminho mais inteligente e perderam-se no seu labirinto. Doente, Fry acabaria por recuperar e encetar uma carreira a solo no circuito da nostalgia. Em 2009 houve um momento crucial: Martin Fry apresentou ‘Lexicon of Love’ no imponente Royal Albert Hall acompanhado pela orquestra da BBC dirigida por Anne Dudley. Foi isso que acendeu o desejo de fazer este ‘Lexicon of Love II’, disco repleto do universo musical que definiu os ABC. Está lá outra vez o amor como essencial: "In the battle of sexes, victory is denied", canta numa das canções mais fundamentais do disco, ‘Viva Love’. As orquestrações típicas do primeiro álbum dos ABC estão aqui e as letras reflectem apenas a idade de Fry, que já não é o jovem em busca da paixão ideal. Elas falam do mais importante: a sobrevivência do amor. Este é um disco romântico, como já não há muitos. 
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