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Fernando Sobral

Aristocrata

Paul Weller foi um aristocrata rebelde no mundo da pop britânica.

Fernando Sobral 27 de Dezembro de 2014 às 00:30

Paul Weller sempre foi um aristocrata rebelde no mundo da pop britânica. No tempo do punk e da new wave, os Jam eram um elixir de melodia cruzada com palavras ásperas. Depois com os Style Council, Paul Weller aventurou-se nos universos mais próximos do jazz, criando uma série de discos notáveis. Mas, em finais da década de 1970, os Jam marcaram também o ritmo da Grã-Bretanha. No espaço de dois anos, entre 1977 e 1979, o grupo lançou quatro álbuns, todos essenciais. A obra-prima ‘Setting Sons’ foi agora reeditada numa versão de luxo, onde descobrimos esse tema incontornável que é ‘Eton Rifles’, acompanhado de outras canções irrepreensíveis como ‘Thick as Thieves’ e ‘Little Boy Soldiers’ (um brilhante exercício sonoro antiguerra). ‘Setting Sons’ foi criado como um disco conceptual, uma homenagem aos heróis de Weller (que na altura tinha apenas 21 anos), sobretudo os Kinks, os Small Faces e os The Who. O disco está cheio de versões ao vivo e temas incluídos nos lados B dos singles, o que ajuda a perceber melhor a dinâmica de um grupo que tinha ideias firmes sobre a sociedade britânica. Que, na altura, estava em profunda mudança. Os Jam foram uma das bandas mais influentes do período punk (tal como os Sex Pistols, os Clash ou os Buzzcocks) e as suas canções foram, na altura, êxitos de vendas. Esse legado nunca desapareceu: ainda hoje, nos concertos, Weller canta velhas canções deste grupo que anunciava os novos tempos da pop britânica. E é também por isso que este disco é tão relevante.

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