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Fernando Sobral

Comédia

A pop dos Divine Comedy é oriunda do reino da fantasia.

Fernando Sobral 10 de Setembro de 2016 às 00:30
Os Divine Comedy não são uma versão musical de "A Divina Comédia" de Dante. Nem poderiam ser. Dante apresentava o lado sombrio da humanidade de forma crua.

O grupo de Neil Hannon prefere falar-nos do mundo no meio de deliciosas orquestrações. O novo disco do grupo, "Foreverland", depois de seis anos de silêncio, é um intrincado exercício de Hannon à volta das suas referências históricas, seja Catarina, a Grande (da Rússia), Napoleão Bonaparte, Voltaire ou Diderot. É um disco culto. Como ele canta: "Let’s talk about Catherine the Great, let’s talk of love and the power of the state". "Napoleon Complex" abre o disco, celebrando um general que era bastante baixo, mas cujos sonhos de grandeza eram enormes. E, depois, há temas que enchem os ouvidos e o coração, como "Funny Peculiar", onde é impossível não encontrarmos ecos da mestria criativa de Cole Porter, a excelsa "Catherine the Great", ou "How Can You Leave Me On My Own", uma canção sobre alguém que busca desesperadamente o amor e que é pautada por um piano envolvente. Este é um disco de um grupo maduro e de um criador no seu máximo momento, 26 anos depois de ter chegado pela primeira vez aos discos. A sua música continua a ser diferente daquilo que outros fazem e isso é a sua melhor referência.

A pop dos Divine Comedy é oriunda do reino da fantasia e veste-se do melhor que a música popular foi criando ao longo dos anos, criando uma comédia sonora muito própria. Está cheia de memórias que nos empolgam a todos. Talvez por isso o grupo tenha sobrevivido tanto tempo. E ainda bem que assim foi.  
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