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Fernando Sobral

Em busca de clube rico

O sonho internacional de Jorge Jesus

Fernando Sobral 14 de Fevereiro de 2015 às 00:30

Há alguns dias, o empresário Jorge Mendes disse não ter dúvidas que Jorge Jesus pode treinar fora de Portugal quando desejar. Acredita-se na possibilidade. Qualquer pessoa que tenha uma bola de cristal que prevê o futuro consegue ver Jorge Jesus fora de Portugal a treinar o Chelsea, o Manchester United, o Real Madrid ou o PSG. A sua exuberância e fluência colocam-no como o treinador certo em qualquer clube onde o dinheiro nasce da terra como cogumelos.

O que Jorge Mendes não disse, mas que se poderia ler nas entrelinhas, é que o tempo de Jorge Jesus no Benfica está a chegar ao fim. O paupérrimo jogo dos encarnados em Alvalade parece evidenciar que Jorge Jesus é incapaz de espremer laranjas para que elas deem um excelente copo de sumo se não tiver pelo menos uma carroça cheia delas. Importadas é claro. Porque as nacionais, chamem-se André Gomes ou Bernardo Silva, são para serem rentabilizadas por Jorge Mendes no Valência ou no Mónaco. E não no clube que os viu crescer antes de chegarem à equipa principal. Nos momentos decisivos, Jorge Jesus recua e esconde-se: ao ver o jogo defensivo do Benfica contra o Sporting, muitos lembraram-se da forma como os encarnados perderam um campeonato no Dragão. Sempre à defesa, à espera de não sofrerem um golo no último minuto. Jorge Jesus sabe que o tempo em que a Luz era um poço de petróleo acabou: deixou de haver crédito fácil. E sem isso não há contentores de jogadores para escolher alguns predestinados. Agora já só há dinheiro para aproveitar os jovens talentos da Academia, mas esses o treinador do Benfica despreza. Veremos o que acontecerá o resto da época a Gonçalo Guedes. E João Teixeira? É pior que Cristante? Sem Gaitán e Salvio, este Benfica é hoje uma equipa mediana, apesar de Júlio César, de Luisão, Maxi ou Jonas. Por isso era esta a altura de apostar.

Jorge Jesus não tem estratégia para uma equipa que terá de ser poupada e de comprar só o melhor para onde está fragilizada. O treinador acredita que da quantidade sai a qualidade a que ele dá, depois, "nota artística". Acredita-se nisso. Mas no Chelsea ou no Real Madrid isso é possível. Jorge Jesus ficará lá muito mais feliz.  

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