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Fernando Sobral

Na realidade paralela

As grandes confusões de Jorge Jesus

Fernando Sobral 6 de Dezembro de 2014 às 00:30

Há momentos em que se percebe que um ciclo futebolístico acabou e que a única pessoa que ainda não foi informada disso foi o treinador. Jorge Jesus exemplificou isso, 48 horas depois de o Benfica ter sido varrido da Europa. Quando questionado sobre ser o último do grupo, mostrou viver numa realidade paralela: "Posso não ser o último. Ainda falta um jogo." Mesmo ganhando esse jogo, o Benfica fica num desonroso último lugar no grupo e nem vai à Liga Europa. Por momentos pareceu que Jesus era um intérprete do filme ‘Matrix’, não conseguindo distinguir a realidade da ficção. Compreende-se que Jesus ainda esteja baralhado pela triste imagem deixada pelo Benfica. Mas já não se entende a ideia de que o clube pretende renovar com o treinador que, nestas últimas épocas, com grandes equipas, apenas tem tornado a imagem do Benfica na Europa ainda mais pálida e baça. Porque, a ser assim, os dirigentes encarnados desejam mesmo este caminho: que o Benfica tente ganhar a Liga, a Taça de Portugal e a Taça da Liga  e seja um saco de pancada na Europa. Coisa em que não se acredita. A vitória sobre a Académica e a liderança na Liga não escondem que o futebol encarnado está hoje nas urgências. O centro do campo vai existindo quando Enzo sente algum conforto. O ataque é inexistente. E tudo vai vivendo da magia de Salvio e Gaitán. Jorge Valdano dizia que uma equipa de futebol é um estado de ânimo. E é isso que não se vê no Benfica, equipa cansada e sem ideias. Até porque esta eliminação precoce do Benfica, privando o clube de rendimentos sonantes, não se apaga com a venda de Enzo Pérez e de mais um jogador em janeiro. Mostra que há mesmo o fim de um ciclo: o de um treinador que teve grandes equipas (financiadas para garantirem mais-valias) e que com isso não recuperou a imagem do Benfica onde importa: na Europa. O modelo faliu. E o Benfica tem de começar a criar um outro modelo, baseado num equilíbrio entre o talento da academia e alguns reforços fortes. E não nesta compra sem limites de jogadores, muitos deles sem sentido. A mudança passa também por um treinador que tenha um discurso pouco confuso e que não tenha contradições. De alguém que olhe para os jovens talentos e os aproveite. Estará o Benfica disposto à mudança necessária? Ou Jorge  Jesus não está sozinho na sua realidade paralela?  

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