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Fernando Sobral

O céu é o limite?

A nova coroação de Cristiano Ronaldo.

Fernando Sobral 17 de Janeiro de 2015 às 00:30

Fernando Pessoa, no ‘Livro do desassossego’, escreveu: "Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já não o tenho." Apetece citá-lo para falar do que move Cristiano Ronaldo: o futuro. Mais golos, mais recordes, mais troféus, mais Bolas de Ouro. Uma constante superação de todas as metas e de todos os limites. O jogador português é assim, desassossegado, desde muito novo. Quando ganhou a primeira Bola de Ouro, depois de ter passado quatro anos a lutar quase ingloriamente com Leo Messi, os seus predicados vieram à superfície. Nunca o esqueceremos, com a blusa da seleção portuguesa, nesse jogo heróico contra a Suécia, em que pareceu agarrar o destino nas mãos e tornar possível o futuro. Custou vê-lo no Brasil, cumprindo o seu dever, mas sem condições para agarrar numa equipa frágil e que vive de um único farol, ele próprio.

Este início de temporada mostra-o como a alma de um Real Madrid poderoso, o cavaleiro destemido que tenta ultrapassar todas as últimas fronteiras do futebol. É o melhor, não o duvidamos. Mas continua a olhar para o futuro. Quer desafiá-lo. Quer igualar o feito de Messi. Quer mesmo superá-lo. Ganhar a Bola de Ouro de 2014 não foi uma surpresa. Contra ele nem valeram as teorias da conspiração que associamos sempre a Joseph Blatter e a Michel Platini. Ronaldo tornou-se no jogador completo, orgulhoso do que faz, procurando sempre superar o que se espera dele. Não admira que seja o epicentro do Real Madrid. Muito do que é deveu-se a ter, ainda jovem, estado na escola do Manchester United de Alex Ferguson. Ronaldo tinha tudo para ser um craque ímpar. Naquela universidade refinou qualidades e reforçou as suas características e métodos de trabalho. Estruturou a sua vontade. O poder e a velocidade fizeram dele um Flash Gordon em busca de bater a velocidade da luz e do som nos relvados. Nos últimos tempos refinou-se: tornou-se num jogador mais cerebral e um pouco menos explosivo quando busca o local ideal junto da área para fazer o golo. Ou melhor, muitos golos. A emoção vai sendo equilibrada com a gestão de esforços. É um novo Ronaldo a olhar para o futuro. Porque o passado já ficou para trás.

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