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Fernando Sobral

Profundo

O novo álbum de Robert Forster é de uma beleza quase épica.

Fernando Sobral 10 de Outubro de 2015 às 00:30
Robert Forster faz das canções postais de amor. Forma antiga de contactar com aqueles que o escutam. De espalhar emoções através de melodias quase sem tempo. Por isso este seu novo álbum, ‘Songs to Play’, é de uma beleza quase épica. Durante muitos anos habituámo-nos a escutar a sua arte nos Go-Betweens, de que uma canção, ‘Bachelor Kisses’, ficou para a posteridade. De regresso, Forster partilha connosco um conjunto de canções que começam por ser um desafio. E que, depois, nos vão conquistando devagarinho, como só as grandes melodias o fazem.

A voz de Forster não é cristalina e o universo pop que o já desaparecido Grant McLennan criava para os Go-Betweens também desapareceu. Mas o que aqui sobra é exactamente a capacidade que Forster tem de criar temas que não são óbvios. Vão-se entranhando devagarinho, até se tornarem obsessivos. É o que sucede com a primeira canção do disco, ‘Learn to Burn’, uma beleza estranha, quase impossível de definir. Este é o seu primeiro álbum desde há sete anos, altura em que gravou o incontornável ‘The Evangelist’, logo após a morte prematura de McLennan. Como nesse disco as canções vão ganhando corpo com o tempo, vão-se entranhando, como se utilizasse a estratégia da aranha, e nos prendesse por fim a tudo o que canta e toca. Esse é o seu segredo. O disco está repleto de influências, desde o mundo da Bossa Nova em ‘Love Is Where it Is’ à percussão e ao órgão persistente, que nos lembra os Velvet Underground, em ‘The Murder Mistery’. A profundidade das canções nasce assim. E por isso elas tornam-se eternas.
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