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Fernando Sobral

Reflexo

As maiores canções de David Bowie são imunes às rugas.

Fernando Sobral 6 de Dezembro de 2014 às 00:30

O que é que David Bowie pode ver ao espelho? Quase só a sua face, ou melhor, as suas diferentes faces, que o tornaram o maior camaleão da história do rock. Eternamente jovem em busca das novas tendências. Encontrando-as em subterrâneos e trazendo-as para a superfície.

Ao longo de décadas Bowie foi isso. A sua nova compilação de grandes temas, ‘Nothing has Changed’, que agora é editada, é um bom dicionário sobre as capacidades acima da média deste músico único. Nada mudou? Talvez tudo tenha mudado, excepto a validade de algumas das maiores canções de Bowie, imunes às rugas, e que continuam a ser uma influência determinante para muitas bandas que por aí surgem. Encontramos aqui tudo aquilo que é ouro: ‘Ashes to Ashes’, ‘Space Oddity’, ‘Ziggy Stardust’, ‘Life on Mars’, ‘Changes’, ‘The Man Who Sold the World’ ou ‘Rebel Rebel’. Descobrimos o período mais pop de Bowie (‘Let’s Dance’ ou ‘China Girl’), mas também o mais sombrio (‘Sue’, ‘Everyone Says ‘Hi’’, ‘Liza Jane’).

E é isso mesmo que torna Bowie tão mágico e irrepetível: ele foi-nos trocando as voltas ao longo de toda a sua carreira, confundindo-nos com reflexos das suas diferentes facetas e identidades. ‘Sue’ é, talvez aqui, a canção que engloba tudo: o cantor como representante da arte suprema cujos interesses, por vezes, se cruzaram com a música pop. Escrita e gravada com Maria Schneider e a sua orquestra de jazz, é uma homenagem suprema a Scott Walker (que surgiu recentemente com o radical ‘Soused’), outro viajante no tempo como Bowie.

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