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Fernando Sobral

Sonhos?

Os Coldplay poderiam ser mais qualquer coisa nestes dias de crise.

Fernando Sobral 19 de Dezembro de 2015 às 00:30
Os Coldplay são um daqueles grupos que vivem na corda bamba entre os sonhos e os pesadelos. E isso tem muito a ver com o estado de alma de Chris Martin, agora convicto de que o novo álbum, ‘A Head Full of Dreams’, tem tudo a ver com o mundo mágico de Harry Potter. Algo que o afaste do universo sombrio, cheio de pesadelos, que povoavam ‘Ghost Stories’, do ano passado.

Os Coldplay vivem também num campo minado: em épocas de crise, o pop/rock costuma ser a música da resistência. Mas eles parecem estar numa indefinição emocional tão grande como a do seu vocalista. Talvez por isso foram pedir ajuda a nomes de sucesso (Beyoncé ou Noel Gallagher). Ou mesmo aos produtores noruegueses da moda, os Stargate.

Não admira, por isso, que a sua estrela polar em termos de influências seja o som electrónico. Onde não faltam ecos dos U2 ou dos Arcade Fire. Mais do que um disco poderoso e cheio de intenções, os Coldplay parecem estar numa ponte.

Entre o que conhecem e aquilo que não sabem o que é. Basta escutar o tema ‘Adventure of a Lifetime’, na sua aparente boa disposição com influências funk, e confrontá-lo com parte do restante disco para se entender como o grupo vive num território de ninguém.

Há aqui algumas baladas (escute-se ‘Everglow’), espaço onde o grupo se sente sempre à vontade. Mas tudo o que se escuta, nestes sonhos sonoros, parece apenas um chapinhar em volta da música pop cheia de programação tecnológica. O que é pouco. Sente-se que os Coldplay poderiam ser mais qualquer coisa nestes dias de crise.
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