Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
6
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco J. Gonçalves

Dormir com o inimigo

A chegada de Trump a Israel, depois de uma visita à Arábia Saudita, quase coincidiu no tempo com um novo massacre de radicais islâmicos na Europa.

Francisco J. Gonçalves 24 de Maio de 2017 às 00:30
A chegada de Trump a Israel, depois de uma visita à Arábia Saudita, quase coincidiu no tempo com um novo massacre de radicais islâmicos na Europa.

Desta vez o alvo foi Manchester, mas podia ter sido qualquer outra cidade. O presidente dos EUA tem demasiados defeitos para enumerar, mas em Riade disse algo que vale a pena repetir: cabe aos países do Médio Oriente, entre eles a Arábia Saudita, estarem na linha da frente do combate ao terrorismo.

Claro que na mensagem de Trump houve sinais ambíguos, como o de sublinhar a responsabilidade do Irão no apoio ao terrorismo islâmico sem fazer outro tanto com o reino saudita. Mas, tendo em conta o local onde o discurso foi proferido, até se podia aceitar esta omissão como uma delicadeza diplomática para com o anfitrião.

O que já custa mais aceitar é que Trump tenha firmado com os sauditas um negócio de venda de material militar num valor de mais de cem mil milhões de euros. É que os sauditas foram relacionados com o 11 de Setembro e a al-Qaeda e só recentemente deixaram de financiar o Daesh.

Não sei como classificar o negócio, mas se isto não é dormir com o inimigo, não sei o que lhe chame.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)