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Francisco J. Gonçalves

A fé dos ignorantes

Bradbury imagina um mundo no qual os livros foram banidos e são queimados.

Francisco J. Gonçalves 11 de Fevereiro de 2015 às 00:30

Quando Ray Bradbury escreveu ‘Fahrenheit 451’, em 1953, o Macartismo estava a transformar os EUA num regime persecutório. Bradbury imagina um mundo no qual os livros foram banidos e são queimados.

Noutro livro distópico, escrito quatro anos antes, George Orwell desenha uma sociedade em que a História é reescrita mediante a eliminação de todos os registos inconvenientes e a sua substituição por mentiras mais adequadas à ideologia dominante.

De modo diferente, os romances relatam a sanha contra os livros e os registos históricos, contra a individualidade e o pensamento, comum a todas as ditaduras.

Não estranha, por isso, que o Estado Islâmico, defensor de uma ditadura religiosa, faça autos-de-fé nos quais queima livros e homens. No início deste mês, dois mil volumes da biblioteca de Mossul, Iraque, foram queimados. Livros infantis, literatura, poesia, filosofia, ciência, saúde, desporto e jornais do início do século XX, tudo foi varrido. Só ficaram obras sobre o Islão.

Nestes tempos sinistros, ler Bradbury e Orwell é uma afirmação renovada de liberdade e uma tomada de posição contra a estupidez e a ignorância.  

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