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Francisco J. Gonçalves

Tapar as vergonhas

Roma tapou estátuas nuas por causa da visita do presidente do Irão.

Francisco J. Gonçalves 27 de Janeiro de 2016 às 00:30
Roma tapou estátuas nuas por causa da visita do presidente do Irão. É irónico que o líder de um país que até há uma semana era alvo de sanções venha ‘impor’ sanções aos países que visita. Tapam-se ‘as vergonhas’, destapam-se as verdades.

Disse Renzi que não quis "ofender a sensibilidade persa". A mim, este respeito parece-me ‘respeitinho’, sendo que este diminutivo significa cobardia e esta cobardia ofende a sensibilidade ocidental.

Se uma dignitária italiana visitar o Irão é ela a tapar-se, por respeito pelo anfitrião. Mas que aquele que convida se submeta às suscetibilidades do convidado parece-me uma inversão de valores.

E parece-me também uma perigosa confusão entre tolerância e aceitação do preconceito. Os nossos valores não podem ser subjugados pela tolerância, sobretudo quando esta é entendida, de forma errada, como passividade ante aquilo com que não estamos de acordo ou que nos ofende.

Esta passividade permite perceber por que razão, entre os migrantes que chegam à Europa, muitos veem o Ocidente como lugar onde tudo é permitido. É um equívoco perigoso, mas é culpa nossa. É culpa da nossa persistente tolerância perante os intolerantes.
Roma Irão Europa política
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