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Francisco J. Gonçalves

Um cadáver vai a votos

O anúncio da morte de François Fillon foi claramente exagerado.

Francisco J. Gonçalves 8 de Março de 2017 às 00:30
O anúncio da morte de François Fillon foi claramente exagerado. Acusado de beneficiar a própria família com milhares de euros de fundos públicos, num esquema de empregos falsos da mulher e dos filhos, o candidato da direita moderada francesa conseguiu impor-se à vontade do próprio partido.

O encontro de segunda-feira de ‘Os Republicanos’ foi ‘boicotado’ por ele com o comício gigantesco que convocou para domingo e que fechou com um estrondoso sucesso. Depois desse sucesso, foi à TV dizer que só ele, eleito pelas bases do partido, tinha legitimidade para representar esse partido. E os barões das correntes divergentes, a de Nicolas Sarkozy, por um lado, e a de Alain Juppé, por outro, foram silenciadas.

Juppé, sabia-se, tinha vida difícil se entrasse na corrida a um mês das eleições. Precisava angariar em poucos dias cerca de dez milhões para a campanha e, acima de tudo, tinha de unir um partido fragmentado. A imposição de Juppé nesta altura implicava o risco de os eleitores de Fillon fugirem à direita e darem o voto a Marine Le Pen.

Fillon venceu, impôs-se ao partido, mas não vai impor-se aos franceses. Sobreviveu, para já, mas é só um cadáver adiado.

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