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Correio da Manhã

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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco José Viegas

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Vem a páginas tantas de ‘Os Maias’ e é uma confissão que se estende até hoje: quando o severo Cohen (ai dele, Ega encavalitado no seu matrimónio) decreta, cínico e acima destas coisas humanas: "A única ocupação mesmo dos ministérios era esta – cobrar o imposto e fazer o empréstimo. E assim se havia de continuar..."

Francisco José Viegas 17 de Outubro de 2014 às 00:30

Continuámos; até hoje: receita fiscal e emissão de dívida. Foi quando Ega suspirou, antes de o criado servir ‘poulet aux champignons’: "Portugal não necessita de reformas, Cohen, Portugal o que precisa é da invasão espanhola." E o que aconteceria depois disso? Ega responde: "Sovados, humilhados, arrasados, escalavrados, tínhamos de fazer um esforço desesperado para viver. E recomeçava-se uma história nova, um outro Portugal, um Portugal sério e inteligente, fazendo civilização como outrora..." Na literatura é um mimo; na vida de hoje é uma tragédia em que pensamos como uma opereta valdevina.

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Citação do dia

"Não anseio pela reforma. Só gostaria de que o Estado e as empresas dignificassem o trabalho"

Rui Pereira, ontem, no CM

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Sugestão do dia

António Lobo Antunes nas livrarias com ‘Caminho Como Uma Casa em Chamas’ (Dom Quixote) – caso se tenham esquecido, nestes dias de Orçamento, guerrilha e assuntos fiscais, há livros que nos merecem e, alguns, que arrebatam. 

Os Maias Cohen Portugal Ega
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