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Francisco José Viegas

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De certa maneira, os moncorvenses são refugiados no interior do país.

Francisco José Viegas 18 de Novembro de 2015 às 00:30
Em Torre de Moncorvo (9 mil habitantes, números redondos), os verões são inclementes, abafados, bonitos – e trabalhosos (vindimas e apanha da amêndoa decorrem em setembro); os invernos são gelados (há a azeitona), mas não há primavera igual, explodindo de cor e cheiro da terra.

Outros dados: a população é metade da de 1900 e de 2001 a 2011 decaiu em redor de 13%, de modo que 34,4% dos habitantes tem mais de 65 anos (9% entre os 15 e os 24). O que faz o Estado por Moncorvo? Entre outras generosas benesses, dá-lhe 5 médicos para o centro de saúde, uma fartura – mas há apenas 3 (com o inverno ficará apenas com dois, um vai de férias, noticia o CM).

De certa maneira, os moncorvenses são refugiados no interior do país; a sua solidão, génio e malandrice vêm nos livros de J. Rentes de Carvalho, mas custa ver como o país os abandona.

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"Os homens aos quarenta/ aprendem a fechar muito devagar/ as portas dos quartos a que/ não regressam" – a poesia de Pedro Mexia de volta em ‘Uma Vez Que Tudo se Perdeu’ (Tinta da China). Não percam, não percam.
Torre de Moncorvo população demografia J. Rentes de Carvalho
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