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Correio da Manhã

Colunistas
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18 de Março de 2016 às 00:30
Já imaginou o resultado do cruzamento de dados – de cada cidadão – sobre rendimentos, património, hábitos de consumo, problemas de saúde e educação? O conhecimento desses dados é um instrumento poderoso nas mãos de políticos ou de empresas. Ou de loucos – que frequentemente aparecem tanto na política como no mundo das empresas. O Prof. João Pires da Cruz, um físico, escreveu ontem um notável artigo chamando a atenção para esse perigo. Quem detém esses dados? O Estado. Quem pode ter acesso a eles? O Estado. Mas também quem puder e souber penetrar nessa rede de números, registos, informações – um registo da vida de cada um de nós, o rasto de cada decisão ou contingência. Portugal é um país liberal sem liberais, liberais à moda antiga, que prezem a liberdade e a autonomia dos cidadãos. Detendo os dados (a partir do Cartão de Cidadão), o Estado pode manipular, vigiar e decidir sobre a vida de cada um de nós. Já aqui escrevi sobre isso, antes de o governo anunciar que quer construir perfis de cada cidadão na net, uma ameaça grave (quem autorizou?). Já algum deputado se manifestou sobre este Big Brother?

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Citação do dia
"Em Portugal os malfeitores fogem para o Brasil; lá vão para o governo", Carlos Rodrigues, ontem no CM.

Sugestão do dia: Clarice Lispector
Este mês nas livrarias, edição da Relógio d’Água: ‘Todos os Contos’, da brasileira (nascida na Ucrânia) Clarice Lispector (1920-1977). Resumo de uma obra inquietante, escrita para resistir à morte. A não perder.
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