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Francisco José Viegas

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Por motivos que não vêm ao caso, estive a reler ‘Prazer e Glória'.

Francisco José Viegas 29 de Março de 2016 às 00:30
Por motivos que não vêm ao caso, estive a reler ‘Prazer e Glória’, um dos grandes romances de Agustina Bessa-Luís. Há muito que não se fala de Agustina - mas devíamos lê-la mais; além de grande romancista (mas impopular) é das nossas maiores pensadoras. ‘Prazer e Glória’ faz um balanço antecipado da década de oitenta (publicado em 1988), tal como ‘Meninos de Oiro’ (de 1982) foi o relato luminoso das euforias da década anterior. No caso de ‘Prazer e Glória’, o sismógrafo é Durba, uma mulher que tem de ser virtuosa às escondidas, num mundo de "vulgaridade, esbanjamento e erotismo" dominado pela conquista do imediato - a cegueira que toma conta das famílias, da relação entre pais e filhos, entre os ricos e o seu poder, os ressentidos e a sua amargura, os pobres e a sua miséria. Muitos temas que hoje são dominantes foram tratados por Agustina neste romance onde quase ninguém se salva; a onda de insensatez e ignorância, que tão bem descreve, ditou o fim da família, a vitória da depressão, a valorização do vulgar. Aprende-se neste livro: diante da barbárie moderna devemos ser discretos como o vento. 

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Citação do dia
"Se é ‘portugueses e portuguesas’ será ‘meus amores e minhas amoras’?"
Nuno Amaral Jerónimo no blogue A Destreza das Dúvidas 

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Sugestão do dia -
Olhar estrangeiro
Como nos veem os outros: uma razão para ler ‘Conquistadores. Como Portugal Criou o Primeiro Império Global’, de Roger Crowley (Presença). História dos Descobrimentos que foi best-seller nos EUA. 
Francisco José Viegas opinião
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