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Correio da Manhã

Colunistas
9 de Junho de 2016 às 00:30
A Rússia está indignada com Ivan Turgéniev (1818-1883). Foi ele o criador do termo ‘niilista’, emprestado a uma das suas personagens, Ievgueni Bazárov (no romance ‘Pais e Filhos’), um homem que detestava "ambos os lados da contenda" (ou seja, os "modernizadores da Rússia", tanto como os representantes da "velha Rússia").

Esta perspetiva não foi apenas a de Bazárov, antes marcou obras tão decisivas como as de Soljienitsine (os ocidentais e os comunistas), Pasternak ou Bulgakov. Desta vez, uma editora inglesa, a Penguin, decidiu usar uma frase de Turgéniev para publicitar a sua coleção de clássicos: "Aristocracia, liberalismo, progresso, princípios... palavras sem utilidade. A Rússia não precisa delas."

O Kremlin não gostou e atacou a utilização fora de contexto de Turgéniev pelos ‘ocidentais’. Bom, a verdade é que Turgéniev acabou por abandonar a Rússia e ir viver para França, onde morreu. Bernardo Pires de Lima, que acaba de publicar um magnífico livro sobre a Rússia (‘Putinlândia’, Tinta da China) pode explicar como a Rússia de 2016 nunca deixou de ser a de 1862. E qual o mal de pensar como Bazárov?

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Citação do dia
"Futebol Nacional sonha com o título europeu e carrega vários escândalos", Carlos Rodrigues, ontem, no CM

Sugestão do dia: Agustina
A Guimarães Editores reedita ‘O Manto’, um belo romance de Agustina Bessa-Luís, datado de 1961. Sobre Agustina as datas nunca são essenciais: sem nos maçar com isso, ela escreveu para a eternidade.
Rússia Ivan Turgéniev Ievgueni Bazárov Bernardo Pires de Lima
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