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Francisco José Viegas

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Tenho dúvidas substanciais sobre o discurso do Presidente da República no 10 de Junho.

Francisco José Viegas 14 de Junho de 2016 às 00:30
Tenho dúvidas substanciais sobre o discurso do Presidente da República no 10 de Junho – não sobre o "povo" (uma designação hoje irrisória, confundida ora com os "eleitores", ora com o "público", e sempre considerada nas sondagens), mas sobre a autocrítica do Presidente quando critica as "elites" de que faz parte, como um entusiasta ocupado a valorizar as nossas qualidades, a apelar ao "otimismo", a deixar um sorriso em todos nós (como acontece e era preciso) – e, no fundo, a tratar o "povo" como fonte de todas as virtudes (idêntica tese sobre a "genialidade do povo" tinha Franco Nogueira) e que resistiu ao conde Andeiro e a Miguel de Vasconcelos, os "traidores" que a História arrumou no campo dos maus (a nobreza e o clero), para facilitar as coisas. Um Presidente populista? Não. Um Presidente que quer ser popular – ligado "às pessoas", capaz de suscitar entusiasmo e euforia, mesmo quando exorbita e nos declara os melhores do mundo, do pastel de nata ao golo de trivela. Temo que, a breve prazo, corra o risco de cansar mesmo os otimistas mais profissionais. Mas eu sou pessimista.

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Citação do dia
"É pôr toda a gente a receber tanto como administradores da Caixa. Com certeza"
Luciano Amaral, ontem, no CM

Sugestão do dia - Declínio e queda
O romance de Evelyn Waugh será novamente adaptado pela BBC, com guião de – imagine-se! – James Wood, o crítico literário. No elenco, David Suchet (Poirot...) e – imagine-se outra vez! – Eva Longoria.
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