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Francisco José Viegas

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O Nobel tanto me faz, mas é um critério para separar o trigo do joio, e Dylan faz parte do trigo.

Francisco José Viegas 31 de Outubro de 2016 às 01:45
Volto ao tema porque ele merece – sobretudo quando milhares de vozes se ouvem a querer vandalizar os assentos da academia que atribuiu o Nobel a Dylan. O Nobel tanto me faz, mas é um critério para separar o trigo do joio, e Dylan faz parte do trigo.

Interrompendo um silêncio de dois anos de entrevistas, no sábado, o ‘Daily Telegraph’ publicou declarações suas a propósito de uma exposição de obras suas numa galeria londrina (ele pinta), Dylan diz coisas simples: "Tudo o que vale a pena leva tempo. É preciso escrever cem más canções antes de escrever uma boa. É preciso sacrificar uma série de coisas. Goste-se ou não, estamos nisto sozinhos e é preciso seguir a nossa própria estrela.".

Fala de Homero, entretanto. As suas canções evocam Homero? Algumas. "Os académicos é que devem saber. Eu não sou qualificado para isso." O Nobel? "Há uma série de coisas que eu queria fazer. Conduzir um carro em Indianápolis. Marcar um golo na NFL. Bater uma bola de basebol a mais de cem milhas por hora. Mas é preciso saber o nosso lugar. Há coisas que estão para lá do nosso talento." Deem-lhe o Nobel outra vez.
Nobel da Literatura Bob Dylan Homero
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