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Francisco José Viegas

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A morte de Mário Soares leva Portugal a revisitar a sua história, cujo último quartel do século XX ele dominou por completo.

Francisco José Viegas 9 de Janeiro de 2017 às 01:45
A morte de Mário Soares leva Portugal a revisitar a sua história, cujo último quartel do século XX ele dominou por completo. Os elogios já foram feitos nestes dois dias, e são sempre hiperbólicos.

Figura central do regime que ajudou a fundar, Soares estabeleceu a ponte entre a I e a III Repúblicas: entre o velho republicanismo clientelar das velhas famílias políticas e a dimensão europeia de um país provinciano, pobre e apático.

Nesse país, Soares foi um príncipe nascido para liderar, servindo-se da sua intuição admirável para exercer o poder (e compreender o género humano) e do inamovível gosto pela vida e pelo risco.

Por isso, tudo se lhe desculpava e quase tudo se lhe permitia. Foi o derradeiro líder de uma época em que ainda se exaltavam os grandes líderes, antes de o "homem comum" (plebeu, com sentido da economia, sensato, que lutou para subir na escala social – mas sem tempo para gestos de grandeza) ter acedido aos corredores do poder, o que ele não compreendia. Quando tinha razão, tinha-a profundamente; da mesma forma que estava profundamente errado quando errava.
Mário Soares Portugal política
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