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Francisco José Viegas

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Por vários motivos não mencionei, no dia 1, o desaparecimento de Simone Veil.

Francisco José Viegas 12 de Julho de 2017 às 00:30
Por vários motivos – a velocidade das coisas, os acontecimentos recentes, a necessidade de escrever sobre outro assunto - não mencionei, no dia 1, o desaparecimento de Simone Veil.

Acontece que a autora de ‘Une Vie’, a sua maravilhosa autobiografia, faria amanhã 90 anos. Escrevo ‘maravilhosa’ porque é um monumento, infelizmente não traduzido entre nós - uma recordação da perseguição violenta aos judeus, da amarga sobrevivência a Auschwitz (onde toda a sua família morreu) e a Bergen-Belsen, do seu combate pela modernização da Europa e da França, pelo cosmopolitismo e por uma sociedade aberta.

Amanhã, portanto, diríamos que Simone Veil completava 90 anos - e o seu nome continuaria a estar ligado à ideia de uma Europa liberal, culta, amável, civilizada, sem perder as raízes que a fizeram ser como imaginávamos nos nossos melhores sonhos.

Há uma coisa que sempre me impressionou nela: os seus olhos, belíssimos. E, portanto, o que os seus olhos viram, o que eles testemunharam – do horror absoluto à esperança absoluta.

É esse o destino europeu, no fundo.
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