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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco José Viegas

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Espero não vir a ouvir de qualquer governante que não são 64 mortos.

Francisco José Viegas 25 de Julho de 2017 às 00:30
O respeito pelos mortos não pode ser limitado pelo segredo de justiça. Sublinhemos o ‘não pode’ mesmo se isso contrariar certos juristas - porque há um sentido para a dignidade dos vivos e dos mortos, e nós temos o direito de conhecer essa condição.

A forma inábil como as autoridades lidam com este problema deve-se ao facto de pensarem que tudo é responsabilidade do Estado e que a verdade põe em causa a sua autoridade.

Por isso, e independentemente de se duvidar da existência de uma ‘lista secreta’ (seria uma indignidade de patife, como escrevi ontem), não é possível nem decente invocar o segredo de justiça para impedir o esclarecimento integral do número de mortos causados pela tragédia de Pedrógão.

Espanta-me a indiferença do meu país (que se escandaliza por tantas ninharias) neste caso. Escandaliza-me a invocação do segredo de justiça para não ser dado um nome a cada uma das vítimas.

Hélia Correia escreveu ‘O Número dos Vivos’; mas o país desceu tão baixo que não se inquieta com o número dos mortos nem com os que andam a silenciar os sobreviventes.
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