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Francisco José Viegas

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Shepard era um guionista de eleição, literário, melancólico, desesperado.

Francisco José Viegas 2 de Agosto de 2017 às 00:30
Era um dos meus atores preferidos – por causa de ‘Os Eleitos’ (1983), sim, o filme de Philip Kaufman (a partir de um livro de Tom Wolfe). E não por causa de Chuck Yeager, o personagem, mas do próprio Sam Shepard (1943- -2017), o ideal naquele papel sedutor.

O cabelo, o olhar, a roupa, os aviões, a dolência, as cervejas, a insistência em sonhar (e o casamento com Jessica Lange ou o namoro com Patti Smith) – tudo o indicava para ser o modelo de um aventureiro tranquilo, aquilo que nós queríamos ser na minha geração.

Mas Shepard era também um guionista de eleição, literário, melancólico (como acontece com ‘Zabriskie Point’, de Antonioni), desesperado (como é o caso de ‘Paris Texas’, de Wim Wenders) ou ainda sobre tudo o que falha na vida (escreve a peça de teatro e, depois, o guião de ‘Fool for Love’, de Robert Altman).

Pulitzer de teatro, é também autor de dois belos livros de histórias, ‘Crónicas Americanas’ (‘Motel Chronicles’) e ‘Atravessando o Paraíso’, ambos dos anos 80 – o tempo de que foi um ícone de beleza e perdição.

A sua morte, anteontem, não estava prevista.

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