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Francisco José Viegas

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Os anos 80 e 90 portugueses não teriam sido como foram sem o Pedro Rolo Duarte.

Francisco José Viegas 27 de Novembro de 2017 às 00:30
Os anos 80 e 90 portugueses não teriam sido como foram – com explosões de brilho, criatividade e risco – sem o Pedro Rolo Duarte (1964-2017).

Há, evidentemente, a amizade que eu lhe dedicava. E há esse absurdo: o Pedro partiu para esse lugar ("a ilha do silêncio de Deus", como dizia Ruy Belo) de onde não se regressa.

Mas há muito mais: os jornais e revistas (’Dna’, ‘K’, ‘DN’, ‘Se7e’) onde esteve, os seus programas de rádio (do ‘Só com Gelo’ na Comercial ao ‘Hotel Babilónia’ com o João Gobern na Antena 1, a lista é grande) e televisão, o entusiasmo pelas coisas (os outros, um vício), certa coragem de ter desatado a língua (o ‘politicamente correto’ era um adversário antigo).

Permitam-me, no entanto, que mantenha as coisas neste nível pessoal: certos amores de romance, explosivos; noites de copos e conversas; o riso; uma aprendizagem da ironia; a sabedoria em saber retirar-se e gostar de observar de longe; a capacidade de chamar o melhor dos outros.

A minha primeira reação foi essa: é um absurdo o Pedro ter partido. Passados estes dias, continuo nessa ilha de onde não há saída.
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