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Francisco José Viegas

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Um dos livros da minha adolescência foi ‘O Desprezo’, do italiano Alberto Moravia.

Francisco José Viegas 28 de Novembro de 2017 às 00:30
Um dos livros da minha adolescência foi ‘O Desprezo’, do italiano Alberto Moravia, e ainda hoje não consigo explicar como o romance (belíssima edição da Ulisseia) me foi parar às mãos.

Depois, ‘A Atenção’, ‘A Romana’ e, claro, ‘La Ciociara’, além dos contos de ‘O Autómato’ e de ‘O Amor Conjugal’.

Bom, era uma adolescência atípica, confesso, porque Moravia pertencia à anterior – não era um brilhantíssimo escritor, mas as suas histórias, adaptadas ao cinema (‘La Ciociara’ por Vittorio De Sica, ‘O Conformista’ por Bertolucci, por exemplo, histórias do pós-guerra), resultavam bem nos tempos do ‘compromisso histórico’ e sintetizavam o seu alinhamento político (foi toda a vida militante do PC italiano).

Moravia, de quem hoje se assinala o 110º aniversário do nascimento, acompanhou todo o século italiano – o seu primeiro romance, ‘Os Indiferentes’ antecipava essa ligação entre o seu ‘realismo socialista’ e um certo existencialismo, aliança sedutora que foi moda europeia.

Ao recordá-lo, sinto uma certa nostalgia por aqueles livros – e pela sua imagem de homem compreensivo.
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