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Francisco José Viegas

O talento da criação

Recordo as imagens reincidentes de ‘O Dia do Desespero’ (1992).

Francisco José Viegas 3 de Abril de 2015 às 00:30

Recordo as imagens reincidentes de ‘O Dia do Desespero’ (1992), a copa das árvores e a voz que repete, como uma obsessão: morrerei mas não vou esquecer estas árvores. É um filme sobre a criação, o seu génio e a sua tragédia (centrado em Camilo, naturalmente).

Quando penso em Oliveira, penso no indizível que não se esquece. Não houve, na história dos criadores portugueses contemporâneos (talvez a exceção seja Saramago) nome tão popular, tão homenageado e venerado como o de Oliveira, um pilar do cinema do nosso tempo, a par de Fellini, Dryer, Griffith ou Ford. Mesmo não compreendendo ou não gostando, houve sempre um enorme respeito pela sua obra, talento e longevidade.

Oliveira prolongou no cinema a literatura (Camilo e Agustina), o teatro, a pintura (‘O Gebo e a Sombra’ é um prodígio) e o mistério da interpretação (Leonor Silveira em ‘Vale Abraão’). Deu-lhe vida e dimensão, perpetuando-se na galeria dos imortais. Está vivo.

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