Francisco Moita Flores

Professor universitário

Assassinatos

16 de outubro de 2016 às 01:46
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Todas as semanas somos confrontados com notícias sobre homicídios. A maioria tem uma história de anos de encontros e desencontros que culminam na expropriação da vida de alguém pela outra parte. E qualquer morte precisa de explicação. Morrer não faz parte do futuro, embora seja a única certeza que o habita.

Perante este facto único, pessoal e intransmissível reagimos com grande desejo de imortalidade. Mas todos os dias acontece e temos de saber a razão desse definhamento para afastarmo-nos, ainda que inconscientemente.

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Durante séculos aceitámos socialmente a morte como acto punitivo. As justiças privadas, vindas do fundo dos tempos, socializaram o homicídio que travava a violação de valores fundamentais para a sobrevivência do grupo.

Matar para lavar a honra, para defender a propriedade, pela loucura do álcool, encerrava desculpas, legitimava comportamentos assassinos. Na construção dos Estados modernos, que procuravam exercer o monopólio da violência, aceitaram a pena de morte como punição razoável que recuperava a ancestral ideia de quem com ferro mata, com ferro morre.

Este padrão de homicídio, incluindo o que resulta da violência doméstica, disputa de terras ou de partilha de águas, mesmo motivado pelo álcool, tem denominador comum: a relação psicoafectiva entre agressor e vítima. Ou por serem casados ou por serem vizinhos ou por serem companheiros de diversão ou de trabalho. São crimes que merecem censura, mas que conhecemos como se fizessem parte da nossa memória profunda e, por isso, compreendemos o porquê.

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Aquilo que se passou em Aguiar da Beira, com um Pedro matando a eito, sem piedade, sem razão, tomado por ódio assassino, não está dentro dos limites da nossa compreensão. Daí a perseguição sem tréguas, o horrendo a contaminar os nossos quotidianos. Desejamo-lo preso. O mais depressa possível. Porque precisamos de saber o porquê.

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