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Francisco Moita Flores

Angola

No essencial foram eleições livres e pacíficas. Não espanta que o MPLA ganhe mais uma vez.

Francisco Moita Flores 27 de Agosto de 2017 às 00:31
Quem conhece Angola não pode deixar de reconhecer com satisfação que é, neste momento, a melhor esperança de todo o continente africano. Um continente abrasado pela discórdia, pela brutalidade, pela desordem. A começar pelos países que viveram as tão aplaudidas primaveras árabes, nos quais se perdeu a ideia de Estado e o terrorismo abriu filiais em catadupa, e acabando na África do Sul, onde o sonho de Mandela, figura tutelar da Humanidade, se esboroa em miséria e confusão política.

Angola viveu nos tempos recentes duas guerras brutais. Primeiro contra o Portugal colonial, e depois a guerra civil, tão brutal quanto qualquer guerra civil, e vivendo uma paz imposta pelos vencedores. Passaram quinze anos e, ainda hoje, essa memória de sofrimento habita cada angolano. Quase todos perderam alguém que amavam nesse terrível conflito interno. Escrevi sobre um conflito idêntico, aqui mesmo ao lado, em Espanha. Uma série televisiva chamada ‘A Raia dos Medos’. Contactei muitos espanhóis para reconstituir esses tempos terríveis. Já tinham passado setenta anos e foi com surpresa que percebi que os traumas da guerra civil ainda se mantinham na memória daquela gente. Franco não perdoou aos vencidos e governou em ditadura mais de trinta anos.

Em Angola, estas não são as primeiras eleições depois da guerra civil. Porém, são aquelas em que todos os observadores internacionais, dos Estados Unidos à União Europeia, incluindo Portugal, reconheceram a legitimidade do acto. Deverá ter tido falhas, é certo. Porém, no essencial foram eleições livres e pacíficas.

Não espanta que o MPLA ganhe mais uma vez. O povo sabe aquilo que os politicamente correctos nunca aprenderam. Quem abre mão da sua vitória pelas armas para se expor aos votos merece que lhe seja confiado o bem mais absoluto do viver comunitário: continuar o caminho da paz.
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