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Francisco Moita Flores

Os (ir)responsáveis

Que se feche o pano sobre o sinistro espetáculo de irresponsabilidade a que assistimos.

Francisco Moita Flores 10 de Setembro de 2017 às 00:30
Afastam-se os fumos negros de Pedrógão Grande e, quase dois meses depois, ainda não há a claridade da transparência. A vida política corre o seu tempo, agora assoberbada por eleições. Os mortos estão enterrados, a Natureza a fazer o seu trabalho, renascendo aos primeiros pingos de chuva, a Protecção Civil, feita de comandantes lustrosos, deixou de estar debaixo de fogo, o SIRESP, essa obra prima do primeiro ministro, continua a falhar mas já não preocupa ninguém. E as vítimas, que ficaram vivas, sofrem.

As muitas comissões de inquérito lá fazendo dolorosamente o caminho das pedras. A política de reflorestação, sem repovoamento, o que quer dizer investimento e fixação de gentes, está taciturna. A gerigonça perdeu a energia salvadora, o PSD deixou de inventar suicídios, a ministra da Administração Interna desapareceu em combate. Os bombeiros recolheram, embora ainda em alerta, e os aviões e helicópteros sossegam. Para eles o ano correu bem.

Com a maior ardida da Europa, o nosso país pagou bem a azáfama de intensa frota aérea. Quanto custaram os fogos este ano? Quatrocentos, quinhentos milhões de euros? Talvez mais.

Foi-se o calor do fogo e das discussões, regressou a paciência para aturar o bando de irresponsáveis que, por tal motivo, não se lhes encontra qualquer responsabilidade nesta imensa tragédia que encheu o País de luto.

O País velho, rural, feito de improdutivos, que tem poucos votos, decadente, miserável. Ainda assim, não tão miserável como o poder sobre os incêndios que consegue superar qualquer resposta esperada pelo outro País que se diz culto, urbano, jovem e rico.

Enfim, o Verão está a terminar. O pesadelo acabou. O governo pode regressar às discussões que lhe interessam, os pobres confortar-se-ão uns aos outros, a floresta tem vida própria para se reerguer e, melhor do que tudo, começou o campeonato! Para o ano, há mais. Que se feche o pano sobre o sinistro espectáculo de irresponsabilidade a que assistimos. Amén!
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