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Francisco Moita Flores

A FIF(í)A

Aquilo a que assistimos não é apenas ao desmoronar de uma quadrilha.

Francisco Moita Flores 31 de Maio de 2015 às 00:30

O escândalo que abala a FIFA não é novidade e segue a dinastia de escândalos dos tempos do antigo presidente João Havelenge e que o omnipotente Blatter recebeu com prazer e agradecido. Portanto, a novidade não é grande. A corrupção, o tráfico de influências, a moscambilha instalada no futebol, há muito que deixou de ser notícia e, agora, só teve este efeito de bomba porque meia dúzia de bandidos de alta estirpe foram presos. É tão simples quanto isso.

Mas é surpreendente que o acontecimento não tenha provocado uma rebelião mundial das estruturas dirigentes do futebol ao nível nacional. Com exceção da dura intervenção do presidente da federação francesa, da declaração de Platini, e mais uma outra voz dissonante, foram jogadores que se manifestaram, ficando confederações, federações, os papagaios que botam discurso sobre futebol, caladinhos que nem ratos. Ou, como no caso português, com meros desabafos.

Para que a coisa seja mesmo assumida, sem pingo de moral, o senhor Blatter nem se deu ao luxo de adiar o Congresso que forçosamente o vai escolher. E isto quando já se sabe que a polícia suíça o proibiu de sair do País. E o povo futebolístico que o venera ali, está pronto a prestar-lhe vassalagem. Ao homem que é responsável pela equipa de eventuais corruptos que começaram a ser presos. E digo que começaram porque a procissão vai no adro.


Quando o descaramento da corrupção chega a este ponto, com o mundo futebolístico a gemer impropérios mas servil até ao nojo, aquilo a que assistimos não é apenas ao desmoronar de uma quadrilha nas altas hierarquias do futebol. Ao mesmo tempo, não se pode deixar de reconhecer o quase silêncio dos países da FIFA, que só por conluio, calculismo, e o mais descarado servilismo ficam calados, como se a dignidade e a transparência no futebol fossem coisa de lixo. Este silêncio global é a fífia maior do escândalo em que Blatter é a estrela da companhia. Pode viver da submissão de quem tem medo de mostrar indignação, mas perdeu o respeito de todos aqueles que gostam de futebol.

Veremos até onde vai a vassourada que as autoridades da Suíça e dos EUA estão a dar no organismo dos negócios e das negociatas. Talvez não fosse mau estas polícias pedirem a colaboração das congéneres de outros países, já agora também de Portugal, para se perceber até que ponto vai este amontoado de esterco e de imoralidade.

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