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Francisco Moita Flores

Amo-te!

Um sorriso.

Francisco Moita Flores 15 de Fevereiro de 2015 às 00:49

Começa quase sempre assim. Um sorriso. Uma troca de olhares. Uma conversa sedutora. As mãos entrelaçam-se e ao primeiro beijo, no céu, tocam aleluias e o dia ganha todas as cores da primavera. Até não custa levantar de manhã cedo e apanhar o autocarro para a escola. Ele está lá. Excitado, medindo forças com os colegas e falando alto. Pelo canto do olho, espera que ela chegue. Amor é fogo que arde sem se ver, aprenderam com Camões. E arde tão intensamente, meu Deus! Até parece que o relógio parou e não chega a hora do intervalo. Nem a hora de estarem sós. Sozinhos num mundo imenso polvilhado de projetos e sonhos bondosos.

Eles não sabem mas o amor aprende-se. Constrói-se dádiva a dádiva. Do amor não se espera receber porque, na sua essência, é fonte que dá sentido à Vida. É a ternura em forma de gente, ali, à nossa frente como se fosse pássaro livre que o outro ajuda a libertar ao vento para voar, voar até aos confins do coração e do mundo. Por vezes, a escola torna-se o lugar de partida para uma vida a dois. Amando-se na diferença e na construção dos afetos até que a morte os separe. Muitas vezes nem chega ao final do ano letivo. Tudo não passou de um suspiro mais intenso. De uma iniciação que ensinou a seguir outros caminhos. Porém, ainda há muitos, dizem os estudos que são 30%, dos casais de namorados que vão pelo descaminho dos desejos, descuidados e levianos, até ao desespero final. Ele pede para ver as mensagens do telemóvel, depois dá outro passo e quer saber a password do Facebook. Depois vem a cena de ciúmes porque ela deu mais atenção a um colega mais velho ou ele ficou de olhar fixo numa mais gira. Diz ela. E vem a primeira discussão. A seguir vem outra maior. Ele não reparou no novo vestido. Ela quer sair com umas colegas e ele amua. Ele quer ir à bola com os amigos. Nova discussão. Nenhum deles sabe mas o ciúme é prova de desamor. Ciúme é uma das expressões da propriedade e do domínio sobre o outro. Não tem nada a ver com o Amor. Até ao primeiro sopapo, ao primeiro espancamento, ele cada vez mais dono dela. Acabaram os sonhos. Aí nesse limite invisível começou a violência e já não há espaço para o amor. O namoro torna-se, então, na degradação da dignidade. E eles já esqueceram que o sonho comanda a vida. A Campanha que arrancou, ontem, no Dia dos Namorados, contra a violência no namoro afirma com toda a convicção que ‘quem ama não agride’. E é verdade.

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