Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco Moita Flores

Fénix de bandidos

A PSP deu um tiro na organização clandestina da noite e dos bandidos.

Francisco Moita Flores 5 de Julho de 2015 às 00:30
A  operação desencadeada pela PSP, sob a designação de Fénix, que levou à captura de vários indivíduos, de uma quantidade enorme de dinheiro e de armamento, no Porto, é apenas uma das cabeças da hidra que controla os negócios escuros que, a coberto do escuro da noite, alimentam economias clandestinas de milhões de euros nas grandes metrópoles do País.
Se é verdade que a maioria das empresas de segurança privada são confiáveis, existe um número significativo que apenas é fachada. A montra pretensamente legal de estruturas onde se agrupam bandidos do pior quilate, organizados em verdadeiro bandos, numa luta feroz entre si pelo controlo da prostituição, do tráfico de droga, dos mais escabrosos negócios que se cruzam nos territórios da noite e do prazer.
É um problema antigo nas grandes metrópoles de todo o Mundo. Construídos ideologicamente para mitificar o prazer e o consumo, identificando simbolicamente os fins de semana com os picos maiores desta necessidade de realização, é o tempo da oferta de todas as fantasias. Que podem ir do consumo de uma simples cerveja às drogas mais radicais, de uma saída com amigos até ao encontro com a sexualidade mais descontrolada. A noite, nas grandes metrópoles, enquanto tempo de diversão é a maior feira de prazeres que habitam nas culturas produzidas para alimentar o fascínio de um certo modo de viver e gozar o prazer e é um amontoado de negócios poderosíssimos fora das preocupações dos governos, feitos numa escala extraordinária. Alimentam-se daqueles que procuram o prazer e são controlados pelos bandos que, substituindo as polícias, vão ocupando os territórios com maior concentração de discotecas, casas de alterne, restaurantes e tascas onde mais gente se aglomera para consumir seja aquilo que for.
Ainda muitos leitores se lembrarão do célebre caso Noite Branca e da sucessão de homicídios que, nessa altura, aconteceu. Verdadeiras batalhas entre bandidos pela posse e conquista de territórios mais apetecíveis, no que respeita a negócios e a lucros, uma perpétua luta com alguns momentos de tranquilidade, para que o dinheiro fácil seja ganho pela força dos músculos, da violência e, se for necessário, matando. A PSP, com este golpe, deu um tiro na organização clandestina da noite e dos bandidos. Mas a noite não pára e os negócios do prazer também não. A implacável lógica do viver noturno continuará com outros donos e outros bandos.
opinião francisco moita flores fénix operação psp
Ver comentários