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Francisco Moita Flores

Guerra à vista

A paz deveria ser o objectivo primeiro de todos os democratas e pessoas de bem.

Francisco Moita Flores 24 de Setembro de 2017 às 00:30
A União Europeia tem sido o observador plácido do agravamento da crise que ganha cada vez contornos mais sombrios, com Kim Jong-un, o líder da Coreia do Norte, a intensificar testes balísticos e, do outro lado, Donald Trump, no seu estilo alarve, a fazer ameaças que já atingiram o limite.

Neste momento, tal como em todas as guerras, apenas falta um pretexto fútil para que possa eclodir um conflito de proporções apocalípticas. O Japão sente-se ameaçado e com razão. A China está nervosa, movimentando tropas para as fronteiras com a Coreia do Norte; a Rússia está em estado de alerta; a Coreia do Sul refugia-se nos braços dos EUA; e a escalada de agressões verbais deixou de permitir uma diplomacia às claras.

À irresponsabilidade do ditador norte-coreano responde um Trump incapaz, medíocre, sem consciência da dimensão trágica das suas ameaças. Parece que estes homens perderam a memória. Sobretudo a União Europeia, que foi o palco do maior holocausto bélico, que terminou há pouco mais de setenta anos. Cinquenta milhões de mortos são uma herança que pesa na memória, na História, nos medos de todos aqueles que têm presentes esses dias negros.

A falta de uma política diplomática comum dá nisto. O esforço para evitar uma guerra de proporções devastadoras não pode ser apenas um esforço da China ou uns avisos da Rússia É precisa uma missão gigantesca e colectiva que, em nome da paz, ponha termo a esta escalada que, a todo o momento, pode abrir um conflito cujas proporções são incomensuráveis.

A globalização incluiu uma nova realidade que não se vivia na Segunda Guerra Mundial. Hoje já não há o perto, nem o longe.

Hoje, somos todos aqui, ao lado uns dos outros, utilizando novas coordenadas de espaço e de tempo. A guerra lá, rapidamente é a guerra cá. A paz deveria ser o objectivo primeiro de todos os democratas e pessoas de bem. Parar a tempo este conflito é uma dádiva à Humanidade.
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