Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
4
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco Moita Flores

Hoje votamos!

Não quero carregar o fardo de qualquer maioria absoluta. Ninguém o deve carregar.

Francisco Moita Flores 4 de Outubro de 2015 às 00:30
O País saiu com algum alívio deste período de campanha eleitoral. Hoje votamos com a certeza de que as duas principais forças se demitiram da sua função cívica e política. Trazem mais ou menos compromissos. Alguns deles tão escondidos que só daqui por uns tempos iremos saber. Dou um exemplo. Passaram-se quatro anos a falar da reforma do Estado. Não se fez, mas tem que ser feita. Alguém sabe como explicou como vai ser?
Este é o lado obsceno que os partidos do poder trouxeram à virtude democrática. Não se expor até ao tutano da sinceridade. Daí que não espante a cobardia de se pedirem maiorias absolutas.

O Rui Pereira já escreveu, aqui, sobre esta matéria. Quero olhá-la num outro ponto de vista. É imoral, é ultrajante para o viver democrático colocarem sobre os ombros de quem vota este enorme peso. Não quero carregar o fardo de qualquer maioria absoluta. Ninguém o deve carregar. Pela simples razão de que somos apenas um voto. Uma afeição, um pedaço de confiança, uma convicção ou, até, uma manifestação de protesto. No momento em que se coloca a cruz no quadradinho estamos numa das mais solitárias e individuais das decisões. Escolho A. Escolho B. Escolho C. Ou não escolho nenhum. É assim. É a liberdade na sua forma mais pura.

A exigência das maiorias absolutas não é de cada cidadão. É daqueles que foram eleitos e nos vão representar. É a responsabilidade a que querem fugir, cobardemente e imoralmente, porque, ao pedir tal poder ao povo, reconhecem a sua incapacidade para dialogar, a incompetência para fazer da democracia o ato nobre do entendimento nas diferenças. Compreende-se. Esta perpétua negociação política, vulgar em países cultos, em Portugal tem um significado bem próprio e dramático. Uma maioria absoluta não precisa de redistribuir boys, não necessita de despedir as legiões de servos que se alimentam do Estado. Sem préstimo para outra coisa que não seja colar cartazes e gritar palavras de ordem. A crise ética e moral em que vivem as duas grandes forças que hoje disputam o poder é um dos aceleradores da ruína do País. Alimentam o caciquismo, a destruição de qualquer valor em troca de um lugarzito. Vote, caro leitor. Não se demita de responder com firmeza da sua liberdade. Seja em quem for. Mas sem outra responsabilidade que não seja a sua e que apenas cabe num voto. Eles que se entendam. Ao menos mostrarão dignidade.
campanha eleitoral eleições legislativas partidos políticos Rui Pereira voto
Ver comentários