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Francisco Moita Flores

Isto é gozo?

Começa a surgir a ideia de que aquele caso privado vai ser mesmo pago pelo mexilhão afogado em impostos.

Francisco Moita Flores 2 de Novembro de 2014 às 00:59

Dizem os jornais que dois dos supervisores do Banco de Portugal (BdP), do tal banco que deve supervisionar os outros bandos, se mudaram de armas e bagagens para a empresa que faz a tal auditoria forense ao BES. Segundo se percebe das notícias, isto foi feito com a naturalidade com que um adepto mais ferrenho salta as vedações de um estádio para ver o jogo em lugar mais aprazível. Nem pode já espantar que isto não se faça com naturalidade. A promiscuidade de prostíbulo domina estes interesses nebulosos onde vive esta gente que serve o serviço público com a lealdade traiçoeira da serpente.


Já agora, lembrei-me da tal auditoria forense, feita pela empresa externa ao BdP, e que segundo o governador, nos dias mais quentes de junho, quando rebentou o escândalo BES, informava que seriam conhecidos os resultados daí a poucas semanas. Já lá vão meses e da tal auditoria forense, nem rastos. E a Polícia Judiciária à espera. Não sei se desespera, mas não tenho dúvidas de que aquilo que lhe irá chegar às mãos é um documento do género ‘sacode a água do capote’. A PJ que se desenvencilhe.

Uma investigação criminal só tem a ganhar com a velocidade. Para proteger provas, para as tratar cientificamente, para as transformar, ou não, num caminho que leva à descoberta de crimes, se os houver. Quase cinco meses após o estoiro de BES houve já tempo para esconder tudo o que eventualmente fosse ilícito. Perdeu-se o fator-surpresa. Perdeu-se o tempo para uma investigação eficaz. Graças a estes expedientes das auditorias forenses, seja isto aquilo que for, as possíveis culpas vão morrer solteiras e bem andaria a PJ em não se chamuscar nesta verdadeira moscambilha processual.

Percebe-se, e até tresanda, a manobra em curso na Assembleia da República, que parecendo ser uma iniciativa louvável, vai acabar por encobrir com a sua apressada comissão de inquérito ao caso BES. Fazê-lo sem resguardar prova é transformar qualquer processo-crime numa confusão política com conclusões políticas decididas pela maioria. Dá a ideia que todos querem esconder o caso. E começa a surgir a ideia de que aquele caso privado vai ser mesmo pago pelo mexilhão afogado em impostos e sem força para se indignar. Isto cheira a podre. E a desilusão.

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