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Francisco Moita Flores

Morrer, o caraças!

Em Portugal, desgraçadamente, o problema que deveria estar sobre a mesa, há muito tempo, é o nascer.

Francisco Moita Flores 28 de Fevereiro de 2016 às 00:30
existem dois momentos únicos e irrepetíveis na vida de um ser humano. Nascer, que é exclusivamente partilhado com a mãe, e morrer. A morte não se partilha. É íntima, pessoal, jamais poderá ser vivida por outro e é irreversível. Embora tenhamos consciência da morte, todos os dias se luta pela imortalidade. Consciente ou inconscientemente. É este o grande psicodrama que habita cada homem e cada mulher desde os sete, oito anos.

Partindo daqui, são mais claros os desafios que se colocam. Como nascemos? Como morremos? É certo, também, que as sociedades construíram o valor da dignidade para o percurso entre um e outro destes raros momentos. Julgo, pois, que em nome da dignidade humana, é admissível o debate sobre a ‘morte assistida’. Mas sem decisões fáceis, nem juízos populistas e enternecedores como aqueles que temos lido e escutado. Os nossos ‘sábios’ das questões fraturantes pegaram no tema com a alegria da novidade, do progresso, do ‘tema giro’ e ignoram prioridades vitais.

Nascer e morrer. Duas traves mestras da existência. Em Portugal, desgraçadamente, o problema que deveria estar sobre a mesa, há muito tempo, é o nascer. Como produzir e multiplicar crianças num País envelhecido, migratório, onde a população vai diminuindo, produzindo Lares, fechando Maternidades. E, por isto, cada vez mais pobre, cada vez mais frágil, cada vez com menos expectativas de futuro. Este, sim, é o mais prioritário dos debates enquanto ainda somos um Povo. Está arrumado no fundo da gaveta, tal como os outros grandes desafios que se colocam a Portugal, como a desertificação e a produção de riqueza. Dar prioridade à ‘morte assistida’, sendo legítimo, é revelador de um tempo de decadência e de medo para enfrentar os grandes combates pela sobrevivência enquanto Povo. Esses ficam escondidos, no meio deste ruído tonto que mostra a árvore e esconde a floresta.
Portugal País questões sociais morte
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